Agro

Alta do diesel preocupa produtores e ameaça elevar inflação no campo

17 mar 2026 às 18:34

A alta nos preços do óleo diesel e a escassez do combustível em diversas regiões do Brasil acenderam o sinal de alerta para o agronegócio e para a economia nacional nesta segunda-feira (17). Mesmo com a suspensão da cobrança de PIS e Cofins sobre o insumo, o valor nas bombas ultrapassou a marca de R$ 7,00 em estados como o Distrito Federal, impactando diretamente o escoamento da safra e gerando temor de um novo ciclo inflacionário nos supermercados.

Impacto na produção e logística

O cenário de incerteza afeta tanto o transporte rodoviário quanto a operação das máquinas agrícolas. Em postos na entrada de Brasília, o litro do diesel chegou a ser comercializado por R$ 7,39 na manhã desta segunda-feira, com relatos de esgotamento do produto. Caminhoneiros enfrentam filas de mais de 20 horas para abastecer, enquanto produtores rurais temem que a falta do combustível interrompa a colheita da soja e o plantio do milho, atividades que demandam alto consumo diário de combustível.


A produtora rural Marisa, que mantém propriedade a 30 quilômetros da capital federal, relata que o estoque de seu tanque particular caiu pela metade em um momento crucial da safra. Segundo ela, não há repasse automático de reduções de preços por parte das distribuidoras, restando ao produtor arcar com os custos elevados para garantir a continuidade dos trabalhos no campo.

Cobrança por fiscalização e cenário econômico

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) cobrou do governo federal um rigor maior na fiscalização para conter possíveis práticas de especulação. A entidade defende que as medidas de redução de impostos precisam chegar efetivamente à ponta da cadeia produtiva. Em resposta, o governo anunciou que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) terá novos instrumentos de controle para monitorar os preços praticados.


Especialistas avaliam que o aumento do diesel gera um efeito cascata imediato. Como a maior parte do abastecimento brasileiro depende do modal rodoviário, a elevação do custo do frete é transferida para o preço final das mercadorias. Além do fator logístico, economistas apontam que a instabilidade internacional, agravada pelo prolongamento de conflitos no Oriente Médio, gera incertezas que podem inibir o Banco Central de realizar cortes mais agressivos na taxa de juros (Selic).


A expectativa do mercado financeiro é que o Comitê de Política Monetária (Copom) opte por uma redução moderada de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, acompanhada de um comunicado cauteloso sobre a trajetória da inflação e os riscos externos.

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