O uso do biometano está transformando a matriz energética de indústrias no norte do Paraná, consolidando na prática o conceito de economia circular. Produzido a partir de resíduos da agroindústria da cana-de-açúcar, como a vinhaça e a torta de filtro, o combustível surge como uma alternativa sustentável e economicamente vantajosa ao gás convencional.
A produção do biometano ocorre por meio da decomposição desses resíduos em biodigestores, onde bactérias atuam na geração do gás renovável. No Paraná, a produção concentrada em regiões como Tamboara é escoada por uma moderna rede de distribuição, que percorre cerca de 170 quilômetros até chegar aos centros industriais. Esse modelo evoluiu do transporte rodoviário para um sistema canalizado operado pela Compagás, eliminando a necessidade de armazenamento físico nas empresas e garantindo maior eficiência logística.
Nas indústrias localizadas em cidades como Cambé, o biometano já é utilizado para movimentar máquinas e otimizar processos produtivos. O consumo na região norte do estado atinge cerca de 6.000 m³ por dia, demonstrando a consolidação dessa fonte na rotina industrial.
Além do impacto operacional, o uso do biometano traz vantagens financeiras relevantes, como o modelo de pagamento por demanda, que melhora o fluxo de caixa das empresas e reduz custos com logística. Outro ponto de destaque é o fortalecimento das práticas de ESG (ambiental, social e governança), já que a substituição de combustíveis fósseis contribui diretamente para a redução das emissões e do impacto ambiental.
A iniciativa coloca o Paraná em posição de destaque na adoção de energia limpa, ao transformar resíduos antes descartados em um combustível eficiente e estratégico para o desenvolvimento sustentável da indústria.