O setor leiteiro brasileiro celebra o Dia Mundial do Leite, neste 1º de junho, destacando sua relevância social ao registrar produção anual de leite de 35 bilhões de litros em 1,1 milhão de propriedades rurais. A atividade está presente em 99% dos municípios do país, com maior concentração nos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Santa Catarina.
Mesmo com um papel fundamental na segurança alimentar — cada brasileiro consome, em média, 180 litros de leite e derivados por ano — a cadeia produtiva enfrenta desafios estruturais. Entre as principais dificuldades estão a alta nos custos de produção e a entrada recorde de leite em pó importado da Argentina e do Uruguai. O desafio das importações e o dumping O avanço das importações de países do Mercosul trouxe à tona a discussão sobre o dumping.
O termo técnico refere-se a uma prática comercial desleal em que empresas exportam produtos a preços inferiores ao custo de fabricação ou ao valor praticado no mercado interno, visando eliminar a concorrência. Em entrevista ao AgroBand, Guilherme Dias, assessor técnico da Comissão Nacional de Bovinocultura de Leite da CNA, revelou que o governo brasileiro já reconheceu a existência dessa prática. Segundo o especialista, foram comprovadas margens de dumping que chegam a 60% para o leite vindo da Argentina e 50% para o produto do Uruguai.
Apesar da comprovação técnica da irregularidade, o governo federal optou por suspender temporariamente a aplicação de tarifas compensatórias. A decisão baseou-se em uma "avaliação de interesse público", mecanismo que analisa se a sobretaxa poderia gerar inflação de preços ao consumidor final. Eficiência e rentabilidade do produtor O setor brasileiro tem buscado compensar as dificuldades de mercado com o aumento da produtividade.
Nos últimos anos, o volume total produzido no Brasil cresceu mesmo com a redução do número total de animais no campo, o que indica maior eficiência por vaca. Dias ressalta que iniciativas de assistência técnica e gerencial, como as oferecidas pelo sistema CNA Senar, já beneficiaram mais de 500 mil famílias produtoras. No entanto, a rentabilidade permanece sob pressão.
"O produtor de leite vem sofrendo com essas importações a preços subcotados há bastante tempo", afirma o assessor técnico. A CNA trabalha agora para demonstrar os impactos negativos dessa política na cadeia produtiva, buscando garantir que medidas de proteção sejam efetivamente implementadas para corrigir as distorções do mercado.