Agro

Brasil lidera produção global de urucum com 57% do mercado

23 jul 2026 às 21:13

Conhecido popularmente pelo uso no colorau — tempero tradicional da culinária brasileira —, o urucum possui um papel econômico e industrial que vai muito além da cozinha. Das sementes do fruto é extraída a bixina, um pigmento natural amplamente utilizado pela indústria de alimentos na fabricação de queijos, embutidos, doces, bebidas e sorvetes, além de ter forte aplicação em cosméticos e insumos industriais.


O Brasil lidera o mercado global do cultivo, sendo responsável por cerca de 57% da produção mundial de urucum. Segundo dados do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) com base em levantamentos do IBGE, o país colheu aproximadamente 13,6 mil toneladas de sementes em 2020. Em solo nacional, o Estado de São Paulo concentra o maior polo produtor, com destaque para a região da Nova Alta Paulista.


A safra principal da cultura ocorre entre os meses de junho e agosto. Atualmente, a cotação paga ao produtor rural varia entre R$ 12,50 e R$ 13,00 por quilo da semente. Algumas cultivares, a exemplo do urucum-anão, possibilitam uma segunda colheita entre dezembro e março, a depender das condições de manejo e do calendário de plantio.


Por se tratar de uma espécie perene, o planejamento da lavoura é essencial: a orientação técnica sugere que o plantio das mudas ocorra no período entre a primavera e o verão para aproveitar a temporada de chuvas.


Melhoramento genético e avanço nas pesquisas

Para impulsionar a rentabilidade no campo, o Instituto Agronômico (IAC-APTA) desenvolve, desde a década de 1980, trabalhos voltados ao melhoramento genético do urucum. Os estudos buscam selecionar linhagens com maior rendimento por hectare, resistência ao oídio (uma das principais doenças fúngicas da planta) e elevado teor de bixina.


As investigações do instituto também abrangem técnicas de manejo, espaçamento de plantio e estudos genéticos. O IAC abriga o maior banco de germoplasma de urucum do planeta, somando 378 genótipos catalogados que servem de base para o lançamento de novas cultivares no mercado agrícola.

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