A ampliação da cota de importação de carne bovina pelos Estados Unidos abriu uma oportunidade comercial estratégica para o agronegócio brasileiro. O parque fabril nacional tem capacidade de atender a até 40% do volume adicional extraordinário, que autoriza o ingresso de até 300 mil toneladas da proteína pelo período de 90 dias. A medida visa conter a disparada de preços ao consumidor final no mercado norte-americano.
A determinação, voltada para a compra de cortes magros destinados à fabricação de carne moída e hambúrgueres, beneficia diretamente o Brasil. Como a cota extra exclui concorrentes tradicionais que operam via acordos bilaterais — como Austrália, Nova Zelândia, Uruguai e Argentina —, o mercado brasileiro desponta como o único com escala e capacidade imediata de embarque. A estimativa do setor é exportar entre 90 mil e 120 mil toneladas no período.
"O volume norte-americano não substitui o mercado da China, hoje o principal destino das vendas externas, mas atua de forma complementar e fortalece a diversificação de destinos", destaca a Abiec.
Enquanto a China consome cortes específicos e da parte dianteira do animal, os importadores dos Estados Unidos demandam carne industrial para redes de fast-food. Paralelamente às negociações com Washington, o setor agropecuário brasileiro vive expectativa positiva com a União Europeia, que encerrou auditoria sanitária com parecer favorável ao controle de antimicrobianos no mel e na carne de frango do país.