No Dia Nacional da Cachaça, celebrado neste 13 de setembro, o setor produtivo nacional intensifica esforços para expandir a presença do destilado no mercado internacional, ao mesmo tempo em que faz um alerta sobre os impactos da regulamentação do Imposto Seletivo no Brasil. Com um investimento de R$ 2,63 milhões, o projeto "Cachaça: Taste the New, Taste Brasil" — fruto de parceria entre o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) e a ApexBrasil — prevê missões comerciais e rodadas de negócios que terão início no México em novembro e chegarão à Alemanha em 2027.
O avanço na internacionalização acompanha o crescimento sustentado da cadeia produtiva no país. Conforme o Anuário da Cachaça 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil conta com 1.538 estabelecimentos produtores registrados, representando um aumento de 21,5% em relação ao levantamento anterior. Nas vendas externas, a bebida registrou o envio de 7,96 milhões de litros para 76 países em 2025, um avanço anual de 19,4%.
"Estamos iniciando uma nova etapa de internacionalização. Essas ações são fundamentais para aproximar nossos produtores de compradores internacionais e ampliar o reconhecimento do destilado no exterior", afirma Vicente Bastos, presidente do Ibrac.
Apesar do otimismo com as exportações, a liderança setorial manifesta forte preocupação com a reforma tributária no mercado doméstico. O Ibrac argumenta que a cachaça já suporta uma carga tributária em alíquotas nominais cerca de quatro vezes superior à de outras categorias alcoólicas, o que pode se agravar com a criação do Imposto Seletivo. A entidade defende que a tributação seja calculada com base no volume de álcool da porção consumida, garantindo igualdade concorrencial em relação à cerveja e ao vinho, sob o risco de comprometer a sobrevivência de pequenos produtores rurais e impulsionar a informalidade no segmento.