Agro

Brasil processa apenas 35% da soja colhida nas lavouras

09 out 2026 às 13:36

O Brasil precisa ampliar o processamento interno da soja e fortalecer o mercado de biocombustíveis para agregar valor à produção agrícola e impulsionar a indústria nacional. A avaliação é do ex-ministro da Agricultura e colunista da BandNews TV, Antonio Cabrera, que aponta diferenças entre o modelo brasileiro e o de outras grandes economias agrícolas.


Segundo Cabrera, os Estados Unidos processam cerca de 62% da soja colhida no país, enquanto o Brasil, maior produtor mundial da commodity, industrializa aproximadamente 35% da própria safra.


Na avaliação do ex-ministro, o avanço dos biocombustíveis pode estimular novos investimentos industriais, ampliar a demanda interna pela soja e reduzir a dependência das exportações de grãos in natura.


PROCESSAMENTO PODERIA CHEGAR A 112 MILHÕES DE TONELADAS


Cabrera estima que, se o Brasil alcançasse uma taxa de processamento semelhante à dos Estados Unidos, o volume de soja beneficiado internamente poderia passar de 67 milhões para quase 112 milhões de toneladas.


Isso representaria cerca de 45 milhões de toneladas adicionais processadas pela indústria nacional, ampliando a produção de derivados e o potencial de geração de empregos e renda nas regiões produtoras.

O ex-ministro também destaca que o aumento do processamento poderia fortalecer a cadeia de biocombustíveis e criar novas oportunidades para o agronegócio brasileiro.


BIOCOMBUSTÍVEIS SÃO APONTADOS COMO CAMINHO


Na análise de Cabrera, os Estados Unidos demonstram como a demanda por biocombustíveis pode estimular a atividade industrial. Ele cita projeções para o mercado norte-americano em 2026 que indicam crescimento do consumo de biodiesel.


O especialista também menciona a Indonésia, que utiliza uma mistura de 50% de biodiesel ao diesel de origem fóssil, conhecida como B50.


Para Cabrera, o Brasil tem condições de ampliar gradualmente a participação do biodiesel na matriz energética, com misturas como B20 ou B30, desde que haja políticas públicas e investimentos que sustentem a expansão.


O aumento da mistura obrigatória também poderia ampliar o mercado interno para os derivados da soja e reduzir a exposição dos produtores às oscilações da demanda internacional.


SEGURO RURAL É OUTRO DESAFIO


Além da industrialização, Cabrera aponta o seguro rural como um dos gargalos do agronegócio brasileiro.

Segundo os dados citados pelo ex-ministro, apenas 3,3% da área agrícola do país conta com a proteção do programa federal de subvenção ao seguro rural.


Na comparação apresentada por ele, a China estabeleceu como meta ampliar a cobertura do seguro para aproximadamente 90% das áreas cultivadas com arroz, trigo e milho.


O seguro rural ajuda a reduzir os prejuízos dos produtores diante de eventos climáticos extremos, como secas, geadas e excesso de chuva. Para Cabrera, a proteção também contribui para a estabilidade da produção, do abastecimento e dos preços dos alimentos.


POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AGREGAR VALOR


O ex-ministro defende medidas estruturantes para ampliar a capacidade industrial do país, fortalecer a produção de biocombustíveis e aumentar a cobertura do seguro rural.


Na avaliação de Cabrera, o Brasil reúne conhecimento técnico e disponibilidade de matéria-prima para expandir a indústria ligada ao agronegócio. O desafio é transformar essa capacidade em investimentos, empregos e maior valor agregado à produção nacional.

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