Agro

Campeão de hipismo busca nos EUA inovações para equoterapia

09 ago 2026 às 09:00

O cavalo pode ser muito mais do que um parceiro no esporte. Na equoterapia — método terapêutico que utiliza o cavalo em abordagens interdisciplinares —, o movimento e a interação com o animal são ferramentas fundamentais de reabilitação. É com essa premissa que o cavaleiro campeão Rico Bassano transformou sua paixão pelo hipismo em uma missão de inclusão social, que agora busca novas especializações nos Estados Unidos para aplicar em Londrina.


Com uma trajetória marcada por títulos nas pistas, Bassano encontrou fora das competições o seu maior propósito. O primeiro contato com a equoterapia ocorreu ainda na infância, durante um período de estudos na Nova Zelândia. Ao retornar ao Brasil, decidiu usar sua estrutura e seus animais para impactar famílias.

"Eu vivi muitos anos competindo no Brasil e levantando uma bandeira que para mim é muito importante. Sou um cavaleiro campeão, mas o que eu levanto é a bandeira da inclusão social", afirma Bassano, diretamente de Wellington, na Flórida.


Pioneirismo no atendimento público


O projeto cresceu e se tornou um instituto que está prestes a completar 20 anos. A iniciativa marcou a história da modalidade no país ao firmar o primeiro contrato público de equoterapia no Brasil, democratizando o acesso ao tratamento.


Desde a sua fundação, o modelo ampliado e em parceria com o Poder Público já beneficiou mais de 20 mil pessoas. "Tenho muito orgulho de estar sempre podendo levar essa bandeira do social", comemora o cavaleiro.


Durante as sessões, o movimento tridimensional do cavalo estimula diferentes respostas neuromotoras e exige a participação ativa do praticante. Além do aspecto físico, a atividade favorece o vínculo afetivo, a autoconfiança e a interação com o ambiente. Segundo Bassano, a terapia tem resultados comprovados na melhora da qualidade de vida, motora e mental para mais de 50 patologias diferentes — um efeito que ele costuma apelidar de "equinomagia".


Intercâmbio científico e foco no autismo


O atual desafio do instituto é aproximar a experiência prática desenvolvida no Brasil das pesquisas acadêmicas de ponta realizadas no exterior. Nos Estados Unidos, a equipe busca novas técnicas e evidências científicas para aprimorar o atendimento.


O foco principal do intercâmbio é o Transtorno do Espectro Autista (TEA). "Temos boas universidades americanas que estão bem desenvolvidas nessa área, então estamos juntando forças para impactar essas famílias cada vez mais", explica Bassano.


A meta é absorver o conhecimento médico, científico e de manejo animal norte-americano e levá-lo integralmente para o Paraná. "Com certeza vamos poder compartilhar todo esse conhecimento com vocês lá em Londrina", garante. A troca de experiências promete contribuir para a qualificação das equipes locais, o aperfeiçoamento das técnicas terapêuticas e a contínua ampliação do acesso à equoterapia no estado.

Veja Também