Agro

China quer suprir até 50% do mercado de carne com tecnologia

18 ago 2026 às 12:39

O governo da China intensificou a execução de uma estratégia para reduzir gradualmente a dependência das importações de commodities agrícolas. O plano tem como alvos diretos o mercado de soja e o de carne bovina, setores nos quais o agronegócio brasileiro figura como o principal fornecedor para o mercado chinês.


A iniciativa segue o modelo de planejamento industrial de longo prazo adotado por Pequim para garantir a segurança alimentar do país. No segmento de proteína animal, a meta do governo chinês é suprir até metade da demanda interna com carne cultivada em laboratório até o ano de 2050. Atualmente, a China consome 24% da carne bovina comercializada no mundo, sendo que as importações cobrem 32% do consumo doméstico nacional.


Para diminuir as compras externas de soja, o governo determinou uma alteração nas fórmulas de nutrição do rebanho nacional, estabelecendo a meta de reduzir a proporção de farelo de soja nas rações de 15% para 10% até 2030. A diretriz já vem sendo aplicada por grandes grupos privados locais, como a Muyuan Foods, maior produtora global de carne suína, que reduziu o uso do insumo para menos de 6%.


Além das alterações nutricionais e tecnológicas, a estratégia chinesa inclui a digitalização da produção pecuária local e a expansão de acordos de cooperação agrícola com países do continente africano. O objetivo final de Pequim é diversificar os fornecedores externos e mitigar a exposição do país a oscilações de preços e restrições no comércio internacional.

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