A colheita de grãos no Brasil apresenta um ritmo desigual entre as principais culturas no ciclo 2025/26. Segundo o boletim de progresso de safra divulgado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a retirada do algodão do campo registra forte aceleração, enquanto os trabalhos com o milho de segunda safra e o trigo caminham em velocidade inferior à registrada na safra anterior.
A colheita da segunda safra de milho alcançou 84,7% da área semeada no país, após um avanço semanal de 6,5 pontos percentuais. O índice acumulado, no entanto, permanece abaixo dos 89,3% observados no mesmo período do ciclo 2024/25 e da média dos últimos cinco anos, fixada em 86,6%. Enquanto Tocantins e Maranhão já encerraram os trabalhos, o Paraná registra 60% e Minas Gerais soma 62% da área colhida, mantendo volumes significativos do cereal no campo.
No algodão, o ritmo é mais dinâmico: os trabalhos cobrem 59,6% da área plantada, impulsionados por um salto semanal de 15,9 pontos percentuais. O número supera os 48,9% computados na safra anterior. As lideranças de área colhida pertencem a Maranhão e Piauí (84%), seguidos por Mato Grosso do Sul e Goiás (77%). Já a cultura do trigo está em estágio inicial, cobrindo apenas 4,7% do total semeado. Embora Goiás tenha colhido 70% de sua área, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina as colheitadeiras ainda não entraram em operação.
As oscilações térmicas e pluviométricas seguem pressionando o potencial produtivo. O diretor-executivo da GIROAgro, Leonardo Sodré, avalia que a instabilidade climática prejudica diretamente o manejo de solo. De acordo com o executivo, o uso de nutrição líquida adequadamente aplicada tem sido uma das estratégias adotadas pelos produtores para conter perdas nas áreas afetadas.