Minas Gerais, conhecido nacionalmente pela produção de leite e café, também ocupa posição de destaque na suinocultura. No entanto, o setor atravessa um momento de forte pressão econômica, marcado pela queda nos preços pagos ao produtor e pelo aumento dos custos de produção e logística.
Segundo produtores ouvidos pela reportagem da Band Triângulo, o preço do quilo do suíno vivo caiu de R$ 8 para R$ 5,90. O problema é que o custo de produção atualmente supera esse valor, reduzindo as margens e colocando parte das granjas em situação de prejuízo.
Relato do campo: “A conta hoje é pagar para trabalhar”, resumiu um produtor.
A crise atinge especialmente regiões como Patos de Minas, que concentra um dos maiores rebanhos do estado. Mesmo com um sistema produtivo altamente tecnificado e forte presença no mercado, as propriedades relatam dificuldades para manter as operações. Após um ano de melhores resultados e formação de margem em 2025, o setor agora utiliza essa reserva financeira para tentar atravessar o período de baixa rentabilidade.
Custos logísticos e o impacto do Estreito de Ormuz
Além da pressão dentro das granjas, os frigoríficos e as indústrias de processamento também enfrentam aumento nos custos operacionais. O transporte da carne foi impactado pela alta dos combustíveis, enquanto o frete internacional passou a sofrer reflexos do aumento das tarifas marítimas e da pressão logística global.
Representantes do setor destacam ainda efeitos indiretos no comércio exterior. Parte das preocupações está relacionada ao fluxo logístico internacional, já que cerca de 20% da produção mundial de commodities e combustíveis passa pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte marítimo que enfrenta instabilidades.
Consumo interno de carne suína bate recorde
No mercado interno, o principal desafio é o desequilíbrio entre oferta e demanda. Segundo produtores, houve um aumento expressivo do plantel em um curto intervalo de tempo, elevando a disponibilidade de animais e pressionando as cotações.
Apesar do avanço das exportações, é o consumo doméstico que sustenta a atividade. Hoje, o consumo per capita de carne suína no Brasil gira em torno de 20 quilos por pessoa ao ano, patamar acima dos cerca de 16 quilos registrados anteriormente. Ainda assim, o incremento nas mesas não foi suficiente para absorver a supersafra de oferta.
A expectativa do setor agora é por uma reação do mercado interno e por um reequilíbrio entre produção e demanda. Até lá, produtores e indústrias seguem operando com margens reduzidas.
Impacto estrutural: Desativar uma granja é visto como a última alternativa, já que uma estrutura tecnificada leva de dois a três anos para ser construída e restabelecida.