A criação de ovinos e caprinos atingiu novos recordes no Brasil, impulsionada principalmente pelos produtores rurais do Nordeste. Dados do Centro de Inteligência e Mercado de Caprinos e Ovinos (CIM), da Embrapa, com base na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE, apontam que o país tem 22,31 milhões de ovinos e 13,52 milhões de caprinos.
O rebanho de ovinos cresceu 1,55% no último levantamento anual, enquanto o de caprinos avançou 1,2%. Em números absolutos, foram acrescentados 341.253 ovinos e 158.352 caprinos aos plantéis nacionais.
Entre 2021 e 2025, as taxas médias anuais de expansão foram de 3,3% para a caprinocultura e 2,1% para a ovinocultura. No período mais recente, porém, a criação de ovinos apresentou ritmo de crescimento superior ao dos caprinos.
Segundo o pesquisador Klinger Magalhães, do CIM/Embrapa, o avanço está relacionado à maior procura por carne de pequenos ruminantes.
“Na ovinocultura, é bem perceptível um aumento de procura. Os frigoríficos e os abatedouros estão mais atuantes, o que estimula os produtores rurais a ampliar as criações para atender ao mercado formal”, afirma.
Nordeste concentra a maior parte dos rebanhos
O Nordeste tem participação predominante na criação das duas espécies. Na caprinocultura, a região concentra 96,6% do rebanho brasileiro, com 13,07 milhões de animais. Também foi a única região a registrar crescimento anual nessa atividade, com alta de 1,4%.
Na ovinocultura, o Nordeste reúne 75,8% do plantel nacional, com aproximadamente 16,9 milhões de cabeças e crescimento de 4,4%.
Em sentido contrário, a Região Sul, segundo maior polo de criação de ovinos, registrou queda de 8,6%, com 3,49 milhões de animais. O Centro-Oeste contabilizou 763,6 mil ovinos, o Norte, 648,5 mil, e o Sudeste, 508,5 mil.
Para Magalhães, a concentração regional abre oportunidades para o fornecimento de material genético a outras partes do país, mas também evidencia o desafio de recuperar o interesse pela atividade em regiões onde os rebanhos estão diminuindo.
Bahia lidera a criação de ovinos e caprinos
Entre os estados, a Bahia lidera os rebanhos de ovinos e caprinos, com 5,99 milhões de ovinos e 4,69 milhões de caprinos.
Pernambuco aparece na segunda posição nas duas atividades, com 3,86 milhões de ovinos e 3,27 milhões de caprinos. Juntos com o Piauí, os três estados concentram 74,4% do rebanho caprino brasileiro.
No ranking municipal, Casa Nova, no interior baiano, se destaca como o maior polo produtor do país, com 810,2 mil caprinos e 713,5 mil ovinos. Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, também têm participação importante na atividade.
Já Sant'Ana do Livramento, no Rio Grande do Sul, perdeu posições no ranking nacional de ovinos e passou do segundo para o oitavo lugar.
Mercado oferece oportunidades aos produtores
O levantamento aponta oportunidades relacionadas ao consumo de produtos derivados de ovinos e caprinos, como cortes especiais de carne, leite e queijos. Restaurantes de grandes cidades do Sul e do Sudeste também representam um mercado potencial para esses produtos.
Para atender à demanda de forma regular, o pesquisador destaca a importância da organização dos produtores em cooperativas, da capacitação técnica e dos programas de melhoramento genético.
O planejamento da produção também é fundamental para garantir animais com padrão adequado e volume suficiente para atender frigoríficos e abatedouros formais.
Clima exige planejamento para enfrentar a estiagem
Apesar do crescimento dos rebanhos, os criadores enfrentam custos elevados com ração, combustíveis e medicamentos veterinários, além de perdas relacionadas a furtos e ataques de predadores.
A previsão de condições climáticas associadas ao El Niño também reforça a necessidade de planejamento, especialmente em regiões sujeitas a períodos prolongados de seca.
Entre as medidas recomendadas estão o cultivo de forrageiras resistentes à estiagem, a produção de silagem e a construção de barragens subterrâneas para melhorar a disponibilidade de água.
O pesquisador também orienta que os produtores ajustem o tamanho dos rebanhos à capacidade de alimentação das propriedades. A venda planejada de animais improdutivos ou doentes antes dos períodos mais críticos pode ajudar a preservar as reservas de pastagem e reduzir prejuízos.
A recomendação é antecipar as medidas de prevenção, evitando decisões emergenciais quando a falta de água e alimento já comprometer a criação.