O mundo celebra, neste 14 de abril, o Dia Mundial do Café. Em todos os continentes, este grão tem sua devida importância, mas apenas alguns países do mundo, com destaque para o Brasil, conseguem produzir cafés, tanto de variedades arábicas ou as robustas, que são as duas produzidas de forma comercial.
O Brasil é, até hoje - e mesmo com uma safra ‘encolhida’ nos últimos anos, devido ao clima, o principal produtor mundial de cafés do mundo, em volume, variedade, produtividade e qualidade. O país também é o maior exportador de cafés. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic), o Brasil responde atualmente por aproximadamente 37% a produção global do grão e produz café arábica em Minas Gerais e São Paulo e robusta, em Espírito Santo, Rondônia e Bahia.
Entre os maiores produtores, também se destacam o Vietnã, que ocupa a segunda posição de maior produtor, consolidado como o principal fornecedor de café robusta (conilon), Colômbia, Etiópia e Indonésia. Conforma dados do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), a produção mundial total para este ano é estimada entre 175,3 milhões e 176,2 milhões de sacas de 60 kg.
Os Estados Unidos, que são os maiores consumidores de café do mundo, não produzem cafés e, por isso, todo o café consumido pelos americanos é importado.
Veja outras curiosidades sobre o café:
Embora o Brasil seja hoje a maior potência cafeeira do mundo, o grão não é nativo das Américas. Ele chegou ao país em 1727, vindo da Guiana Francesa, em uma missão que misturou diplomacia e uma pitada de "espionagem" botânica. O responsável pela façanha foi o oficial luso-brasileiro Francisco de Melo Palheta.
Naquela época, o café já era um produto de alto valor comercial, e a França protegia suas plantações na Guiana com rigor, proibindo a exportação de sementes ou mudas. Palheta foi enviado a Caiena oficialmente para resolver uma disputa de fronteiras, mas com a missão secreta de conseguir o "ouro negro".
Registros históricos apontam que Palheta conquistou a confiança da esposa do governador de Caiena. Ao se despedir, em um gesto de cortesia, ela o presenteou com um buquê de flores onde estavam escondidas algumas mudas e sementes de café. Ao retornar, Palheta plantou as sementes no Pará.
Devido às condições climáticas favoráveis e ao solo brasileiro, o cultivo se espalhou rapidamente pelo litoral, descendo para o Maranhão e chegando ao Rio de Janeiro. Foi no Sudeste, especialmente no Vale do Paraíba, que a cultura encontrou o cenário ideal para a sua primeira grande expansão comercial.
Do Pará para o topo do agro
O café foi o grande motor da economia brasileira durante o Império e o início da República. Ele financiou a urbanização de cidades como São Paulo, a construção de ferrovias e a chegada de imigrantes. Hoje, o Brasil não apenas domina a produção, como lidera a inovação no campo.
Atualmente, o país cultiva duas espécies principais, a arábica, produzidas em altitudes maiores, com sabores mais complexos e finos e as variedades robustas (ou conilon) , que são mais resistentes a doenças e calor, muito utilizado na indústria de café solúvel.