A UE (União Europeia) confirmou que suspenderá, a partir de quinta-feira (3), as importações de carnes bovina e de aves, além de ovos, mel, peixes de cultivo e frutos do mar procedentes do Brasil.
Para os setores de aves e mel, o embargo pode ser reavaliado no curto prazo. Uma auditoria técnica realizada por autoridades europeias está em andamento no país e deve ser concluída nesta sexta-feira (4), podendo permitir a retomada rápida das vendas desses segmentos caso os relatórios sejam aprovados.
Entidades ligadas ao agronegócio brasileiro criticam a determinação do bloco. O setor classifica a exigência como uma barreira protecionista imposta por governos europeus sob pressão de produtores locais — sobretudo na França, onde a agricultura conta com fortes subsídios estatais e faz oposição à ampliação do comércio com o Mercosul.
Lideranças do setor apontam ainda que competidores regionais do bloco sul-americano, como Argentina e Uruguai, adequaram-se tempestivamente aos requisitos europeus. Especialistas e ex-gestores da pasta de Agricultura alertam para a perda de prazos de adaptação por parte do Brasil, enfatizando que a exigência da UE em relação aos limites de promotores de crescimento e remédios veterinários vinha sendo notificada nos canais diplomáticos nos últimos anos.