Agro

Ex-ministro sobre UE suspender importação de carnes do Brasil: ‘Tragédia’

01 set 2026 às 12:50

A UE (União Europeia) confirmou que suspenderá, a partir de quinta-feira (3), as importações de carnes bovina e de aves, além de ovos, mel, peixes de cultivo e frutos do mar procedentes do Brasil. A decisão do Executivo europeu baseia-se na alegação de que o governo brasileiro não apresentou garantias formais e documentação suficientes comprovando o cumprimento de normas do bloco sobre o controle e restrição de uso de antimicrobianos e antibióticos na pecuária.


Para os setores de aves e mel, o embargo pode ser reavaliado no curto prazo. Uma auditoria técnica realizada por autoridades europeias está em andamento no país e deve ser concluída nesta sexta-feira (4), podendo permitir a retomada rápida das vendas desses segmentos caso os relatórios sejam aprovados. No entanto, para a carne bovina, a Comissão Europeia sinalizou que a regularização deve demandar prazos mais longos em razão dos ciclos de produção do setor.


Entidades ligadas ao agronegócio brasileiro criticam a determinação do bloco. O setor classifica a exigência como uma barreira protecionista imposta por governos europeus sob pressão de produtores locais — sobretudo na França, onde a agricultura conta com fortes subsídios estatais e faz oposição à ampliação do comércio com o Mercosul.


Lideranças do setor apontam ainda que competidores regionais do bloco sul-americano, como Argentina e Uruguai, adequaram-se tempestivamente aos requisitos europeus. Especialistas e ex-gestores da pasta de Agricultura alertam para a perda de prazos de adaptação por parte do Brasil, enfatizando que a exigência da UE em relação aos limites de promotores de crescimento e remédios veterinários vinha sendo notificada nos canais diplomáticos nos últimos anos.

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