As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 953 mil toneladas nos quatro primeiros meses de 2026, registrando uma alta de 15,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O ritmo acelerado das vendas externas tem provocado o encarecimento do produto no mercado interno, com embarques mensais médios na casa das 200 mil toneladas, segundo a Secex.
O Gargalo das Cotas Chinesas
A China permanece como o principal destino, tendo importado entre 460,8 mil e 553 mil toneladas (dependendo da fonte de dados) apenas no primeiro quadrimestre. O volume preocupa o setor devido às restrições impostas por Pequim em dezembro passado:
Cota de 2026: O limite para exportações sem sobretaxa é de 1,1 milhão de toneladas.
Taxação Excedente: Caso o Brasil ultrapasse o limite, as vendas serão taxadas em 55%, o que inviabiliza economicamente o comércio.
Ritmo Atual: O Brasil já atingiu quase metade da cota anual em apenas quatro meses. No ano passado, o total vendido aos chineses foi de 1,6 milhão de toneladas.
Impasse Sanitário com a União Europeia
Embora a União Europeia represente apenas 4% do volume exportado, o bloco é estratégico pelo alto valor agregado dos cortes "de primeira", gerando cerca de US$ 2 bilhões anuais.
O setor enfrenta um desafio regulatório após a Comissão Europeia excluir o Brasil da lista de países que cumprem exigências contra o uso de antimicrobianos (antibióticos) na pecuária. O governo brasileiro tem até o dia 3 de setembro para apresentar comprovações técnicas e evitar o bloqueio.
Posicionamento do Governo
Nesta quarta-feira (13), o governo brasileiro classificou o entrave com os europeus como mais "burocrático e político" do que sanitário. A diplomacia nacional agendou reuniões com a Comissão Europeia para as próximas semanas, buscando uma solução que impeça a interrupção das vendas a partir de setembro.
Pesquisadores do Cepea alertam que a gestão simultânea da cota chinesa e das exigências europeias definirá a rentabilidade da pecuária nacional no segundo semestre.