Após uma recuperação nos preços do feijão preto em janeiro, o mercado agrícola brasileiro registra em fevereiro uma disparada nos valores do feijão carioca. Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) indicam que o preço médio do grão já subiu mais de 20% nos primeiros doze dias deste mês, com algumas regiões produtoras registrando picos superiores a 30% de alta.
Causas da Escassez
A forte sustentação dos preços é reflexo direto de uma combinação de fatores climáticos e estruturais:
Dificuldades na Colheita: Chuvas irregulares e excessivas em períodos críticos prejudicaram o trabalho de campo da primeira safra.
Restrição de Área: Houve uma redução significativa na área plantada nas duas primeiras safras do ciclo 2025/26, com produtores migrando para outras culturas.
Menor Oferta em 10 Anos: A soma da produção atual com os estoques remanescentes resulta em uma disponibilidade interna de apenas 3,09 milhões de toneladas, o patamar mais baixo desde a safra 2015/16.
Números da Safra (Conab)
O 5º levantamento da safra de grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na última quinta-feira (12), confirma o cenário de aperto:
Produção Estimada: 2,97 milhões de toneladas (queda de 1,8% em relação à safra anterior).
Referência Histórica: Esta é a menor produção nacional de feijão dos últimos quatro anos.
Consumo e Estoques: Com estoques finais projetados para cobrir apenas cerca de 2,2 semanas de consumo, a pressão sobre os preços ao consumidor final deve continuar ao longo do primeiro semestre.
Impacto Regional
No Paraná, um dos maiores produtores, a saca do feijão carioca tipo 1 está sendo negociada na casa dos R$ 290,23 [13/02], atingindo níveis recordes para o período. Em outras praças, como Minas Gerais e Goiás, a retenção de oferta por parte dos produtores, que aguardam preços ainda maiores, tem travado as negociações no atacado.