A ação foi realizada por um grupo de indígenas mascarados que entraram no terminal portuário portando paus e danificaram câmeras de segurança. O grupo já ocupava a entrada do porto há cerca de um mês, mas decidiu radicalizar o protesto para exigir a suspensão do decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto do ano passado.
Entenda o impacto no setor produtivo
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e outras entidades do setor portuário repudiaram a invasão e a depredação do patrimônio. Em nota, as instituições classificaram o episódio como um "ato ilegal e incompatível com o estado democrático de direito", cobrando uma resposta rápida da justiça e do governo do Pará para a retomada das operações.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também criticou a postura do governo federal em recuar diante da pressão dos invasores. Parlamentares do setor afirmam que, sem a manutenção e a dragagem dos rios, a Amazônia e o Brasil perdem competitividade e comprometem o desenvolvimento econômico.
A dragagem é o processo de remoção de sedimentos (como areia e lama) do fundo dos rios para garantir a profundidade necessária à navegação de grandes embarcações. Sem esse serviço, o acúmulo de areia obstrui o canal, impedindo que os navios carreguem a capacidade total de grãos, o que encarece o frete e prejudica a exportação.
Decisão política e comemoração indígena
Diante das ameaças de novos ataques, o governo federal cedeu. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, minimizou o caráter violento da invasão e defendeu a legitimidade da pauta. Segundo ele, a decisão pela revogação do decreto 12.600 foi firmada para atender à mobilização dos povos indígenas.
Dentro do terminal da Cargill, os indígenas comemoraram a decisão governamental. Para o movimento, a inclusão dos rios no programa de desestatização e as obras de dragagem representariam riscos à vitalidade dos ecossistemas locais. Por outro lado, especialistas do agronegócio alertam que o uso de hidrovias é o modal mais barato e sustentável para integrar o estado e facilitar a colocação do produto brasileiro no mercado externo.
Com a suspensão das atividades em Santarém, o cronograma de escoamento da soja produzida no Centro-Oeste sofre atrasos significativos, gerando incerteza sobre os custos logísticos da safra recorde.