A incidência de greening, a doença fitossanitária mais severa da citricultura mundial, atingiu 48,08% das laranjeiras no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro em 2026. Os dados do levantamento anual do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura) apontam que, apesar do patamar recorde, o ritmo de novas infecções registrou forte desaceleração, com alta de apenas 0,45 ponto percentual em relação a 2025 — o menor crescimento nos últimos nove anos.
A perda de velocidade na proliferação da bactéria resulta da intensificação do combate ao psilídeo, inseto vetor da praga. A captura do inseto caiu 45% devido ao rigor no manejo químico e à aplicação do manejo de bordadura nas propriedades. No entanto, a severidade média dos sintomas nas árvores em produção aumentou de 22,7% para 27%, impulsionada pela permanência de plantas doentes adultas nos pomares.
O relatório do Fundecitrus revela disparidades regionais acentuadas: enquanto na região de Limeira (SP) a severidade atinge o ápice de 54,7%, no Triângulo Mineiro a incidência é residual, de apenas 0,04%. Para escapar da pressão sanitária, citricultores direcionam novos plantios para o Norte e Noroeste paulista, regiões de menor histórico de infestação.
A combinação do greening com estresses climáticos afeta diretamente a safra 2026/2027, estimada em 255,2 milhões de caixas de laranja — uma retração de 13% em relação ao ciclo anterior, o que deve pressionar os custos de produção e a oferta para a indústria de suco.