Agro

Mais de 30% das cidades gaúchas relatam falta crítica de óleo diesel

30 mar 2026 às 18:40

Os agricultores do Rio Grande do Sul continuam com as máquinas paradas nas lavouras de arroz e soja devido à crise do óleo diesel no Estado. Neste domingo (28), 170 cidades relataram escassez de combustível nos postos ou preços abusivos, em torno de R$ 9 por litro, pricipalmente na região central, onde estão cidades como Santa Maria.


A Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) emitiu uma nota oficial manifestando profunda preocupação com a paralisação da colheita. Segundo a federação, a interrupção no fornecimento por parte das refinarias, muitas vezes sem aviso prévio, deixa o produtor vulnerável a perdas climáticas irreparáveis. "Estamos com o nosso Departamento Jurídico acionado e em contato direto com o Ministério de Minas e Energia. Não podemos permitir que o suor do produtor fique parado no campo por falhas na distribuição de combustível", afirmou o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes.


A Famurs (Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul) contabilizou mais de 170 cidades com problemas graves. As prefeituras do interior estão sendo obrigadas a decretar racionamento, priorizando serviços de saúde e segurança, enquanto obras de manutenção de estradas vicinais — vitais para o escoamento da safra — foram suspensas.


Problemas na lavoura

Além da dificuldade de encontrar o produto, o custo se tornou um obstáculo à parte. Economistas do setor apontam que o preço médio do diesel S-10 no estado gira em torno de R$ 6,40, mas a realidade no campo é mais dura e os produtores chegaram a pagar R$ 9 pelo litro do combustível. 


A Farsul diz que há muita especulação e isso drena a rentabilidade do produtor e encarece ainda mais o frete, gerando um efeito cascata que deve chegar ao consumidor final em breve. “Nesse momento de colheita, a dependência do diesel é total, tanto para as colheitadeiras quanto para os caminhões que levam o grão até os portos e armazéns”, diz Lopes.

O maior problema para os produtores de soja é o risco de exposição das lavouras ao clima, com chuvas intensas e calor muito forte na região. Isso faz com que os grãos percam qualidade e precisem ser comercializados com preços muito baixos ou até descartados. Para os agricultores que estão colhendo arroz, o problema afeta diretamente a logística de transporte, das fazendas para as indústrias de beneficiamento, aumentando o custo e o preço final do alimento para os consumidores. 

Na última sexta-feira (26), a Emater/RS divulgou que 10% da área plantada com soja no estado, em torno de 6.624.988 hectares, foi colhida. Já a colheita de milho está estimada em 73% da área e a de arroz, em 35%.

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