O mercado físico de café no Brasil registra um início de ano marcado pela baixa liquidez e restrição nas negociações, conforme apontam dados recentes divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O cenário atual é caracterizado pela ausência significativa de vendedores e por uma demanda pontual no chamado mercado spot — modalidade onde a compra e venda da commodity envolvem pagamento à vista e entrega imediata.
Segundo os pesquisadores do Cepea, o ritmo lento das transações é natural para o período. A maioria dos agentes do setor ainda avalia o cenário econômico antes de fechar novos contratos. Os poucos negócios efetivados nos primeiros dias de 2026 tiveram uma motivação específica. O objetivo principal dos vendedores foi o cumprimento de despesas de curto prazo, ou seja, o produtor rural tem ido ao mercado apenas para fazer caixa e honrar compromissos imediatos.
A expectativa dos analistas é de mudança nesse panorama em breve. O mercado deve começar a ganhar maior dinamismo e volume de negócios a partir da próxima semana.
O comportamento do café Robusta
O levantamento do Cepea destaca também as particularidades envolvendo as variedades do grão. Para o café robusta, as negociações também permanecem lentas neste início de ano. No entanto, há um fator importante de oferta que diferencia este cenário do verificado com o café arábica.
A safra 2025/26 da variedade robusta foi mais volumosa. Isso significa que os produtores ainda detêm uma quantidade maior de café disponível em seus estoques. Em comparação ao arábica, a disponibilidade física do robusta é superior nas praças de comercialização. Apesar de haver produto disponível, o ritmo de vendas não acompanha o volume estocado.
Impacto das cotações na decisão do produtor
Outro ponto crucial analisado pelos pesquisadores é o comportamento dos preços ao longo do último ano. Dados do Cepea mostram que as cotações do robusta apresentaram uma queda mais intensa em 2025. Essa desvalorização foi superior à registrada para o café arábica no mesmo período.
Como consequência direta dessa pressão nos preços, o produtor rural adotou uma postura defensiva. O cafeicultor tem se afastado do mercado, evitando fechar grandes lotes com os valores atuais. A estratégia adotada é a de negociar apenas em momentos de estrita necessidade de liquidez.
Essa retração da oferta por parte dos vendedores acaba travando o fluxo comercial. O mercado aguarda agora a definição de novos patamares de preços para que o fluxo de vendas se normalize. Enquanto isso, a cautela segue como a palavra de ordem nas principais regiões produtoras do país.