O mercado de café encerrou o mês de abril com uma notícia que mexe diretamente com o agronegócio: os preços das variedades arábica e robusta registraram queda tanto nas prateleiras internas quanto nas bolsas internacionais. O principal motivo para esse recuo é o otimismo do setor quanto à safra brasileira de 2026/27, que promete ser volumosa e garantir o abastecimento global. Com a colheita ganhando ritmo agora em maio, a expectativa de que haverá muito grão disponível no mercado acabou empurrando as cotações para baixo, frustrando quem esperava valores mais altos.
Na prática, o bolso do produtor sentiu o impacto de forma direta. O café arábica, por exemplo, teve uma média de R$ 1.811,87 por saca, o que representa uma batida de mais de 100 reais de diferença em relação ao mês anterior. Se comparado ao mesmo período do ano passado, a queda é ainda mais assustadora, chegando a quase 27% de desvalorização real. No caso do café robusta, muito utilizado pela indústria de solúveis, o tombo foi de 10,3% em apenas trinta dias, refletindo o cenário de maior oferta que se desenha para os próximos meses.
Apesar dessa pressão para os preços caírem, alguns fatores impediram um "mergulho" ainda maior. De acordo com pesquisadores do Cepea, os estoques baixos em Nova York e as tensões geopolíticas no Oriente Médio criam um clima de insegurança que trava parte das negociações. O conflito internacional gera dúvidas sobre como esse café vai atravessar o mundo até os países consumidores, o que acaba segurando o preço em um patamar mínimo. Mesmo assim, o sentimento geral é de que a super-safra do Brasil ditará as regras do jogo daqui para frente.