Entenda o impacto climático
De acordo com especialistas e produtores locais, a mortandade em massa ocorreu em função da elevação da temperatura do mar. Enquanto a média histórica para o período gira em torno de 28 °C, os termômetros chegaram a registrar até 34 °C em determinados pontos de cultivo.
A maricultora Rita, que atua no sul da ilha há 25 anos, relata prejuízos significativos em sua propriedade. Ela explica que as altas temperaturas atingiram especialmente a ostra exótica da espécie gigas, originária da Ásia e muito valorizada no mercado gastronômico.
"Seria a época de estarmos com ostras de tamanho médio para grande, mas as grandes morreram. Eu devo ter perdido 70% da produção", lamenta a produtora, que utiliza o molusco para agregar valor em seu restaurante próprio.
Risco ao emprego e economia local
A crise no setor de maricultura acende um alerta para a manutenção de postos de trabalho em Florianópolis. A atividade é um dos pilares econômicos de Santa Catarina e grande geradora de empregos com carteira assinada. Com a queda drástica na oferta de ostras, produtores temem não conseguir sustentar a mão de obra atual.
"Vai levar um tempo para a gente se recuperar. Quem tem muita mão de obra vai ter que demitir? Isso vai causar um rebuliço na praia", analisa a maricultora.
Auxílio emergencial aos produtores
Para mitigar os danos econômicos e auxiliar na recuperação das fazendas marinhas, o governo do estado aprovou nesta semana uma linha de crédito emergencial. O apoio financeiro é voltado ao custeio da atividade, incluindo a compra de sementes de ostras, que possuem custo elevado.
O financiamento oferece até R$ 50 mil por produtor, com carência e prazo de pagamento de cinco anos sem juros. Além disso, a modalidade conta com um rebate (desconto) de 40% sobre o valor total do financiamento. A medida é vista como essencial para garantir a continuidade da produção nas próximas safras, dada a importância estratégica do molusco para o estado.