Agro

O impasse do arroz: Entenda o que está segurando as negociações no Rio Grande do Sul

06 mai 2026 às 10:38

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul fechou o mês de abril em um cenário de braço de ferro e pouca movimentação nas principais praças produtoras. Mesmo com a necessidade de abastecimento, as negociações seguiram travadas e com baixa liquidez, reflexo direto de uma postura extremamente cautelosa tanto de quem vende quanto de quem compra. O principal entrave tem sido a expectativa em torno dos leilões de apoio à comercialização e as grandes diferenças de preços praticados em cada região do estado, o que faz com que muitos produtores prefiram segurar o grão no armazém à espera de definições mais claras.


De acordo com os pesquisadores do Cepea, o setor atravessa uma fase de "estágio intermediário", onde os fundamentos do mercado sugerem que os preços deveriam subir, mas as dificuldades práticas impedem que isso aconteça de forma fluida. As indústrias reclamam das margens de lucro apertadas e evitam compras volumosas, focando apenas em lotes pontuais de grãos com melhor qualidade. Essa falta de sintonia entre o que o campo quer receber e o que a indústria pode pagar criou um ambiente de lentidão que marcou todo o mês de abril.


Curiosamente, mesmo com esse ritmo devagar, a média de preço da saca de 50 kg fechou em R$ 62,66, o valor mais alto registrado desde setembro de 2025. Isso indica que, embora o dia a dia das vendas esteja difícil, o nível de preços do arroz segue em uma trajetória de recomposição gradual. Para que o mercado ganhe força de verdade e as vendas voltem a acelerar, o setor agora depende de uma melhora no escoamento de toda a cadeia e de uma conversa mais alinhada entre as partes, garantindo que o arroz gaúcho chegue com competitividade à mesa do consumidor.

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