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Oferta de cacau cresce 63% no 1º semestre, mas moagem patina

Aumento na disponibilidade de amêndoas reduz importações, mas setor ainda depende da recuperação da demanda
13 jul 2026 às 16:20
Por: Band
Seagri/SP

A oferta de cacau no Brasil apresentou uma forte recuperação no primeiro semestre de 2026, impulsionada pelo aumento expressivo no recebimento de amêndoas pelas fábricas. No entanto, a atividade industrial ainda patina devido à lenta retomada da demanda por derivados da commodity nos mercados interno e externo.


Dados compilados pelo SindiDados – Campos Consultores e divulgados pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) apontam que o recebimento de matéria-prima somou 95.108 toneladas no período, um crescimento de 63,4% em relação ao primeiro semestre de 2025. O avanço foi puxado pelo segundo trimestre, quando o volume entregue atingiu 66.503 toneladas (alta de 64,5%).


Moagem industrial e comércio exterior


Apesar da maior disponibilidade de cacau, a moagem — processo de trituração das amêndoas para produzir manteiga e pó de cacau — avançou apenas 3,6% no semestre, totalizando 101.426 toneladas. O montante processado pelas indústrias segue 19,8% inferior ao volume registrado nos primeiros seis meses de 2023, antes da crise de escassez que afetou o setor.


A recuperação da safra nacional gerou os seguintes reflexos no comércio exterior:


  • Importações em queda: O Brasil importou 18,1 mil toneladas de amêndoas no semestre (recuo de 57,1%). Pela primeira vez em quatro anos, o país não realizou nenhuma importação de cacau no período de abril a junho.

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  • Exportações retraídas: Os embarques brasileiros de derivados somaram 26.739 toneladas (queda de 7%). A Argentina foi o principal destino com 45% do volume, seguida por Estados Unidos (19%) e Chile (9%).


Produção regional e instabilidade internacional


O panorama regional do primeiro semestre revela que a melhora na oferta ocorreu de maneira heterogênea. A Bahia manteve a liderança histórica e respondeu por 56,8% do volume recebido pelas indústrias. O Pará consolidou o avanço na região Norte e ampliou a participação para 38,8% do total nacional. O Espírito Santo registrou 3,1%, enquanto Rondônia fixou sua fatia em 1,2%.


No cenário global, os contratos futuros operaram com volatilidade no segundo trimestre, oscilando entre US$ 3.500 e US$ 5.500 por tonelada nas bolsas internacionais. O alívio recente nas cotações decorre de uma revisão positiva na safra da África Ocidental, com destaque para a Costa do Marfim.


Contudo, analistas da consultoria StoneX alertam que o mercado já monitora os riscos climáticos para o ciclo 2026/2027, diante da alta probabilidade de formação do fenômeno El Niño no final do ano, o que costuma provocar estiagens nas lavouras africanas e brasileiras.

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