As cotações do milho seguem firmes na maior parte das regiões brasileiras acompanhadas pelo Centro de Pesquisas Econômicas (Cepea). Os preços são sustentados pela baixa liquidez no mercado spot — modalidade de pronta entrega com pagamento à vista.
De acordo com os pesquisadores da instituição, os vendedores estão priorizando as atividades de campo, enquanto os compradores permanecem retraídos. O setor comprador aguarda o avanço da colheita da segunda safra para obter um aumento da oferta reguladora. O cenário de valorização nas bolsas internacionais também dá suporte aos preços domésticos.
Clima desacelera colheita e reduz oferta
As condições climáticas reduziram temporariamente a oferta do cereal no mercado brasileiro. A colheita da segunda safra — conhecida como safrinha, cultivada logo após a retirada da safra principal — segue alinhada ao mesmo período do ano anterior. Contudo, o ritmo atual está inferior à média histórica das últimas cinco safras.
A concorrência com outras culturas também afetou o fluxo do grão:
Preferência pela soja: As altas recentes nos preços da soja levaram parte dos agricultores a priorizar os negócios com a oleaginosa.
Retenção de estoques: Com o caixa abastecido pela soja, os produtores rurais seguram os estoques de milho e aguardam valorizações expressivas para efetivar as vendas.
Previsão do tempo e impactos regionais
Para as próximas semanas, os modelos meteorológicos indicam menor volume de chuvas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. A estiagem deve permitir o avanço rápido das máquinas no campo, o que ajudará os produtores a consolidar a produtividade real deste ciclo.
O monitoramento detalhado do avanço da colheita será fundamental para avaliar três realidades climáticas distintas no país: os impactos das geadas no Paraná, os efeitos da seca severa em Goiás e os resultados das condições de desenvolvimento consideradas favoráveis em Mato Grosso.