Agro

Pedidos de recuperação no agro sobem 21,9% no 1º trimestre

12 ago 2026 às 13:04

O agronegócio brasileiro contabilizou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026. O volume representa uma alta de 21,9% em relação às 389 solicitações registradas no mesmo período do ano passado. Os dados fazem parte do indicador da Serasa Experian, que mapeia requisições de produtores rurais pessoa física, jurídica e empresas da cadeia produtiva.


De acordo com o gerente de Agronegócio da datatech, Marcelo Pimenta, o resultado reflete o peso dos custos de produção elevados, o endividamento dos produtores e a maior restrição na concessão de financiamentos.


"O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados e ao maior nível de alavancagem, continuou afetando o fluxo de caixa no campo", destaca o executivo.


Produtores com CNPJ e cultura da soja lideram requisições


O avanço das recuperações judiciais no setor foi impulsionado principalmente pelos produtores rurais que atuam como pessoa jurídica (CNPJ). Essa categoria registrou 196 pedidos entre janeiro e março — um salto de 73,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2025 (113 casos).


Dentro desse segmento, as atividades com maior número de processos foram:


  • Cultivo de soja: 137 registros;

  • Pecuária de corte (bovinos): 42 registros.


Já entre os produtores pessoa física (CPF), houve um leve recuo de 6,7%, totalizando 182 solicitações. Na divisão geográfica, Mato Grosso liderou o ranking nacional em volume total de processos, seguido por Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.


Cadeia do setor e monitoramento preditivo


As empresas fornecedoras e prestadoras de serviços da cadeia do agro somaram 96 pedidos de recuperação judicial (+18,5%), com destaque para agroindústrias de transformação primária (23) e processadoras de agroderivados (19).


Para antecipar riscos de inadimplência, a Serasa Experian utiliza modelos de inteligência artificial, como o Agro Score. Estudos da empresa mostram que produtores que entraram em recuperação judicial já apresentavam queda acentuada na pontuação de crédito até três anos antes de recorrerem à Justiça.

Veja Também