Pesquisadores do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) desenvolveram uma tecnologia inovadora e escalável para a produção de nanocelulose a partir do bagaço da cana-de-açúcar. O estudo, conduzido ao longo de três anos, viabilizou um processo de baixo custo que dispensa o uso de insumos derivados do petróleo. A inovação central da técnica reside na oxidação realizada diretamente na biomassa vegetal, reduzindo o tempo de obtenção do insumo sustentável para apenas dois dias após a fase de moagem.
Com estruturas até 50 mil vezes mais finas que um fio de cabelo, o material apresenta alta estabilidade e versatilidade de aplicação industrial. Entre os usos mapeados pela equipe científica, destaca-se o revestimento de papéis para embalagens de alimentos, conferindo propriedades de barreira similares às do plástico.
Além disso, o composto biofragmentado pode atuar na formulação de tintas e cosméticos, substituindo polímeros fósseis sob supervisão do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações).
O projeto avançou para a fase de testes em planta-piloto, multiplicando a capacidade de produção em até 500 vezes em relação aos parâmetros de laboratório. O foco dos cientistas, apoiados pela FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), volta-se para a recuperação do catalisador utilizado na reação e para o ganho de produtividade, etapas fundamentais para a posterior transferência de tecnologia ao setor produtivo.