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Piauí confirma caso de peste suína clássica e entra em estado de emergência

07 jan 2026 às 18:47

O governo do Piauí decretou estado de emergência zoossanitária em todo o território estadual, com validade de 180 dias, após a confirmação de um foco de Peste Suína Clássica (PSC) no município de Porto, na região norte do estado. A medida, publicada no Diário Oficial na terça-feira (6), visa dar agilidade às ações da Secretaria da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (Sada) e da Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi) para conter a disseminação do vírus e proteger o rebanho suíno local.


Com a confirmação do foco e a oficialização da emergência, regras rígidas passam a valer imediatamente para o transporte e a comercialização de animais. A movimentação de suínos, seus produtos e subprodutos dentro da área afetada está restrita e sujeita a normas técnicas específicas estabelecidas pela Adapi.


O objetivo central é criar um cordão de isolamento sanitário para evitar que o vírus se espalhe para outras regiões, garantindo a manutenção da atividade produtiva no estado. A Adapi também foi autorizada a adquirir insumos de forma emergencial para executar as operações de campo, que incluem vigilância ativa e saneamento dos focos.


O secretário da Sada, Fábio Abreu, fez um apelo direto aos produtores rurais para que colaborem com a fiscalização. “Ressaltamos que criadores que observarem qualquer anormalidade nos suínos informem imediatamente à Sada e Adapi, não omitam qualquer informação, para que sejam adotados os protocolos necessários. O criador será ressarcido em caso de detecção da doença. A omissão é crime e resulta em multas e penalidades”, alertou o secretário.


Entenda a Peste Suína Clássica (PSC)

A Peste Suína Clássica não é transmitida para seres humanos. O consumo da carne suína inspecionada continua seguro. Trata-se de uma doença viral altamente contagiosa que afeta exclusivamente suínos (porcos domésticos) e javalis. Os principais sintomas nos animais incluem:

  • Febre alta e amontoamento (os animais ficam juntos, com frio);
  • Manchas avermelhadas na pele (hemorragias);
  • Paralisia e convulsões;
  • Alta mortalidade, especialmente em animais jovens.

A transmissão ocorre pelo contato direto entre animais doentes e sadios, ou pelo contato com objetos contaminados, como veículos, roupas e utensílios. Por isso, o controle do trânsito de animais é a medida mais eficaz para barrar o avanço da doença.


Impacto econômico e Zona Livre

O Brasil possui zonas livres de PSC reconhecidas internacionalmente (como os estados do Sul e Centro-Oeste), o que permite a exportação de carne suína para mercados exigentes. O Piauí, no entanto, faz parte da "zona não livre" da doença, juntamente com outros estados do Nordeste. Em 2023, o estado já registrou casos da doença. 

A ocorrência de focos em áreas não livres exige uma resposta rápida para evitar que o problema afete o status sanitário do restante do país e cause prejuízos econômicos aos produtores locais, que dependem da suinocultura muitas vezes para subsistência.

A Adapi reforça que todas as ações seguem protocolos técnicos rigorosos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), visando a erradicação do foco no menor tempo possível.