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Preço da batata sobe no atacado após chuvas reduzirem a oferta

Altas superam 17% em praças como o Rio de Janeiro; Cepea aponta que clima instável nas regiões produtoras deve manter valores elevados em fevereiro
04 fev 2026 às 11:21
Por: Band
Reprodução
preço da batata especial tipo ágata registrou uma alta expressiva nos principais centros atacadistas do país durante a última semana. O movimento de valorização foi impulsionado pelo excesso de chuvas nas regiões produtoras, que dificultou a colheita e reduziu o volume do tubérculo disponível no mercado. Segundo dados da equipe de Hortifrúti do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a tendência de preços elevados deve se manter ao longo do mês de fevereiro.

O levantamento realizado pelos pesquisadores do Cepea aponta que o Rio de Janeiro foi a praça com o maior reajuste percentual. No atacado fluminense, a saca de 25 kg da batata ágata subiu 17,3%, atingindo o valor médio de R$ 54,69. Em São Paulo, o aumento foi de 16,3%, com a saca negociada a R$ 53,02. Já em Belo Horizonte, a valorização chegou a 12,6%, elevando o preço médio para R$ 48,43.


batata do tipo ágata é a mais comum nas gôndolas dos supermercados e feiras brasileiras. Ela é reconhecida pela casca lisa e brilhante, sendo a preferida do consumidor para o consumo doméstico. Por ser um item essencial na cesta básica hortifrúti, oscilações no atacado costumam ser repassadas rapidamente para o varejo, impactando o bolso do consumidor final.


Mesmo com a redução na quantidade de produtos que chegam aos boxes dos atacadistas, a qualidade do tubérculo permanece satisfatória. De acordo com os agentes consultados, não houve relatos significativos de descartes por problemas fitossanitários ou danos causados pela umidade excessiva. Isso indica que, embora escassa, a batata que chega ao mercado mantém o padrão exigido pelos compradores.

Clima e oferta: o desafio da safra das águas

O principal fator por trás desta valorização é a intensidade das chuvas nas áreas de cultivo. No setor de hortifrúti, o período atual é conhecido como "safra das águas", que ocorre entre os meses de outubro e março. Nesta fase, o plantio e a colheita ficam extremamente dependentes das condições climáticas, já que o solo encharcado impede a entrada de máquinas e o trabalho manual no campo.


Quando as chuvas são frequentes, os produtores precisam interromper as atividades de retirada do produto da terra. Esse intervalo na colheita gera um "buraco" no abastecimento dos grandes centros urbanos. Com a demanda estável e a oferta reduzida, os preços sobem naturalmente nos atacados de referência, como a Ceagesp, em São Paulo.

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Além da dificuldade logística na colheita, o excesso de umidade pode influenciar o ciclo da cultura. No entanto, para o produtor rural, o cenário de preços altos ajuda a compensar os custos operacionais mais elevados durante o verão, época em que o manejo de pragas e doenças costuma ser mais intensivo e oneroso.

Perspectivas para o mercado em fevereiro

Para o restante do mês de fevereiro, o cenário ainda é de cautela e expectativa de preços firmes. Os agentes consultados pelo Cepea acreditam que a oferta continuará sendo controlada pelo ritmo das chuvas. Caso as precipitações persistam nas regiões de colheita da safra das águas, a entrada de novos lotes de batata nos mercados continuará restrita.


A manutenção dos valores elevados dependerá diretamente da capacidade de escoamento das regiões produtoras. O mercado agropecuário monitora de perto as previsões meteorológicas para estados como Minas Gerais e Paraná, grandes fornecedores neste período do ano. Qualquer janela de tempo seco pode permitir um aumento na colheita, o que traria um alívio temporário nas cotações.


O consumidor deve ficar atento e buscar alternativas de substituição ou marcas de batata que apresentem melhor custo-benefício. Para o setor atacadista, o momento é de monitoramento diário, uma vez que o mercado de perecíveis reage instantaneamente a qualquer mudança no volume de mercadoria recebida nos entrepostos.

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