Agro

Preço da mandioca atinge maior nível do ano após 6ª alta

17 ago 2026 às 12:45

O preço da mandioca registrou a sexta semana consecutiva de alta no mercado brasileiro e atingiu o patamar nominal mais elevado de 2026. A valorização da matéria-prima é impulsionada pela oferta restrita da raiz nas propriedades rurais e pela acirrada concorrência entre as indústrias de transformação, segundo levantamento divulgado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).


De acordo com os pesquisadores do centro de estudos, o volume entregue pelos produtores tem sido insuficiente para suprir a demanda fabril. A desaceleração do ritmo de colheita ocorre porque os agricultores estão priorizando o preparo do solo e a instalação da nova safra. Paralelamente, há menor interesse na comercialização da mandioca de primeiro ciclo — colhida entre 10 e 14 meses após o plantio —, já que muitos produtores optam por mantê-la no solo para acumular maior teor de amido e ganho de peso nos próximos meses.


O descompasso no fornecimento de matéria-prima afeta a capacidade operacional dos polos de processamento. Com o volume de moagem abaixo do potencial nas fábricas, os estoques de fécula de mandioca — insumo utilizado nos setores de panificação, embutidos e papel — sofreram redução, o que sustenta reajustes nas cotações repassadas às distribuidoras.


A menor disponibilidade de raiz atinge também o setor farinheiro. Com o encarecimento da matéria-prima, as indústrias repassam os custos de produção aos preços da farinha de mandioca negociada com o comércio atacadista e varejista.


Para evitar a paralisação das linhas de produção, usinas processadoras têm buscado matérias-primas em municípios vizinhos e estados limítrofes, absorvendo custos elevados de transporte rodoviário. Segundo especialistas, a sustentação dos preços elevados no curto prazo dependerá das condições climáticas e do ritmo de conclusão do trabalho de plantio nas lavouras.

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