Agro

Preço da soja está em queda com avanço da colheita e câmbio

03 fev 2026 às 10:28

Os preços da soja em grão seguiram enfraquecidos no mercado brasileiro no encerramento de janeiro. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a desvalorização está diretamente ligada à expectativa de uma oferta recorde no Brasil e à baixa demanda interna.

Outro fator determinante para a queda foi a valorização do Real frente ao dólar. Esse movimento cambial reduziu a competitividade da soja brasileira no exterior, levando compradores internacionais a optarem pelo grão norte-americano, que se tornou comparativamente mais atraente.

Ritmo da colheita supera safra anterior

No campo, os trabalhos de colheita avançam gradualmente em diversas regiões produtoras. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a retirada do grão atingiu 6,6% da área nacional até o dia 24 de janeiro.

O índice atual está significativamente acima dos 3,2% registrados no mesmo período da safra passada. O estado de Mato Grosso segue na liderança isolada dos trabalhos, com 19,7% de sua área já colhida, um salto expressivo em relação aos 3,6% consolidados há um ano.


Alerta com a umidade no Sul

A falta de umidade — ou o baixo balanço hídrico, que é a diferença entre a água que entra e a que sai do solo — pode comprometer o desenvolvimento final das plantas. No entanto, as previsões meteorológicas indicam chuvas mais abrangentes para os próximos dias.


Caso as precipitações se confirmem, a tendência é de melhora nas condições das lavouras e alívio para o agricultor. A regularização do clima é fundamental para garantir que a projeção de safra recorde se concretize sem perdas de produtividade nas áreas que ainda estão em fase de maturação.


Cenário para o produtor

A combinação de preços baixos e custos logísticos em período de colheita exige cautela no planejamento das vendas. Com o mercado internacional atento aos estoques brasileiros, a oscilação do dólar continuará sendo o principal termômetro para a formação dos preços nas próximas semanas.


O setor agora monitora de perto se o aumento da oferta será absorvido pela indústria de farelo e óleo ou se os estoques elevados manterão as cotações pressionadas durante o pico da entrada da safra 2025/2026.