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Preço do feijão carioca atinge recorde histórico com alta de 48% no primeiro trimestre

Levantamento do Cepea aponta que restrição de oferta e dificuldades na colheita impulsionaram as cotações em março.
30 mar 2026 às 10:34
Por: Cepea
Foto: Sebastião de Araújo/Embrapa

O valor médio do feijão carioca atingiu um patamar inédito neste mês de março de 2026, renovando o recorde da série histórica iniciada em setembro de 2024. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/CNA), as cotações apresentaram uma valorização expressiva de 48,3% apenas nos três primeiros meses deste ano. O movimento de alta é impulsionado por uma combinação de fatores climáticos e operacionais, incluindo dificuldades severas na colheita e uma redução significativa na área plantada durante a primeira safra, o que restringiu a oferta do grão no mercado nacional.


A situação é agravada pela expectativa de uma produção menor para a segunda safra, especialmente no estado do Paraná, um dos principais polos produtores do país. Até o dia 26 de março, o preço médio do feijão carioca de alta qualidade (notas 9 ou superiores) registrou um avanço de 8,3% em comparação ao mês de fevereiro. Quando comparado ao mesmo período do ano passado, o salto é ainda mais nítido, com um aumento de 34% em relação a março de 2025, evidenciando uma pressão inflacionária contínua sobre um dos itens mais básicos da mesa do brasileiro.


No segmento do feijão preto, embora a variação mensal em março tenha sido mais tímida, com alta de apenas 0,11%, o cenário de médio prazo também aponta para um encarecimento do produto. O acumulado do primeiro trimestre indica uma recuperação de 32,2% nos preços médios desta variedade. Pesquisadores do setor explicam que, mesmo com a estabilidade recente frente ao mês anterior, os valores permanecem em patamares elevados devido à baixa disponibilidade de estoques e às incertezas quanto ao rendimento das próximas colheitas nas regiões produtoras.


O cenário atual desafia tanto os produtores, que lidam com custos de produção e riscos climáticos, quanto os consumidores finais, que sentem o impacto direto nos supermercados. Especialistas do agronegócio monitoram agora o desenvolvimento das lavouras de inverno, que serão cruciais para determinar se haverá um alívio nas cotações no próximo semestre ou se a tendência de alta se manterá firme. Por ora, o mercado opera com cautela, aguardando dados consolidados sobre a produtividade real das áreas remanescentes para projetar o equilíbrio entre oferta e demanda.

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