Os preços do óleo de soja mantêm uma trajetória de ascensão no mercado brasileiro, atingindo patamares que não eram vistos desde o final do ano passado. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os valores estão sendo impulsionados por uma combinação de fatores externos e expectativas internas ligadas ao setor de energia. No cenário internacional, a valorização do petróleo e as crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio geram incertezas sobre o abastecimento global de combustíveis, o que acaba elevando a procura por alternativas vegetais e sustentáveis.
No plano doméstico, a principal força motriz para a valorização é a perspectiva de maior demanda por biodiesel. As indústrias do setor seguem em compasso de espera pela implementação do aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel comum, que deve passar de 15% para 16% (B15 para B16). Inicialmente prevista para entrar em vigor em 1º de março de 2026, a medida ainda não foi formalizada, o que, segundo analistas, tem funcionado como uma barreira que impede altas ainda mais agressivas nas cotações do óleo bruto e degomado no momento.
Dados do levantamento realizado pelo Cepea mostram que o preço do óleo de soja na região de São Paulo atingiu a marca de R$ 6.953,38 por tonelada no dia 24 de março. Este é o valor mais alto registrado desde 1º de dezembro de 2025, época em que a tonelada era comercializada acima da barreira dos R$ 7.000,00. O movimento reflete o reposicionamento das usinas e refinarias, que tentam se antecipar aos novos volumes de esmagamento que serão necessários assim que a nova política de mistura for oficialmente adotada pelo governo federal.
A sustentação desses preços elevados dependerá, nas próximas semanas, da agilidade na canetada governamental e do comportamento do mercado de commodities em Chicago. Caso a implementação do B16 se arraste por mais tempo, o mercado pode apresentar uma correção técnica, ajustando a oferta disponível à demanda real de curto prazo. Por outro lado, a consolidação do cenário de incerteza energética global tende a manter o óleo de soja como um ativo estratégico e valorizado dentro da cadeia do agronegócio nacional durante todo o primeiro semestre.