Agro

Preço do suíno vivo atinge menor patamar em quase 20 anos, aponta Cepea

02 jul 2026 às 10:10

Os preços do suíno vivo destinado à indústria continuaram em queda durante junho, acumulando o sexto mês consecutivo de baixas no mercado brasileiro.


Segundo levantamento do Cepea, na região conhecida como SP-5 — que engloba os municípios de Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba — as cotações atingiram o menor patamar desde julho de 2006, considerando os valores corrigidos pela inflação.


A média registrada em junho foi de R$ 5,25 por quilo, representando queda de 2,9% em relação a maio e uma retração expressiva de 41,2% na comparação com junho de 2025.


Para efeito de comparação, em julho de 2006 o preço do suíno na mesma região era de R$ 5,14 por quilo, valor muito próximo ao atual cenário de mercado.


Excesso de oferta pressiona a suinocultura


De acordo com pesquisadores do Cepea, o atual nível de preços reforça o movimento baixista observado desde o início deste ano.


Entre os principais fatores está o crescimento contínuo do número de matrizes na suinocultura brasileira, movimento que ocorre há aproximadamente quatro anos e resultou em aumento da produção de animais disponíveis para abate.


Por outro lado, a demanda doméstica por carne suína não apresentou crescimento suficiente para acompanhar esse aumento da oferta.


Exportações não absorvem excedente


Outro fator apontado pelo levantamento é que as exportações de carne suína também não têm conseguido absorver o excedente produzido pelo setor.


Com mais animais disponíveis no mercado e um consumo abaixo do esperado, as indústrias mantêm postura cautelosa nas compras, o que contribui para a continuidade da pressão sobre as cotações.


Setor acompanha comportamento do mercado


O cenário atual amplia a preocupação entre produtores e agentes da cadeia produtiva, especialmente diante da redução das margens e do aumento dos custos operacionais observados nos últimos anos.


A expectativa do mercado agora está voltada para uma possível recuperação da demanda interna e para o desempenho das exportações nos próximos meses, fatores considerados fundamentais para equilibrar a relação entre oferta e consumo e interromper o ciclo de queda do mercado suinícola brasileiro.

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