A agricultura nacional atravessa um período de ajustes significativos neste primeiro semestre de 2026, resultado de uma combinação de pressões nos mercados internacionais e da necessidade de adaptação climática. Commodities importantes como o cacau e o café registraram queda de preços no mercado global. Em contrapartida, grãos como o sorgo ganham espaço na estratégia dos agricultores para enfrentar o fenômeno El Niño, previsto para as próximas semanas.
O café e o cacau apresentaram uma retração de 26% em seus valores nos primeiros seis meses do ano. No caso do café, a pressão sobre as cotações decorre da recuperação da safra brasileira aliada ao aumento da oferta global. Para o cacau, a maior disponibilidade do produto, impulsionada pela produção ampliada na Costa do Marfim, contribuiu para a queda nas tabelas de preço, ainda que os produtores permaneçam atentos às incertezas climáticas.
Sorgo avança e laranja tem preços menores
Enquanto algumas culturas enfrentam baixa, a produção de sorgo vive um momento de forte expansão no Brasil. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a expectativa é de um avanço de 23% na safra nacional. Goiás lidera este crescimento, com previsão de aumento de 40%, pretendendo atingir 2,2 milhões de toneladas.
O sucesso do sorgo se deve à sua alta tolerância à seca. O fator climático levou produtores a migrarem áreas antes destinadas ao milho safrinha para esta cultura, buscando maior segurança produtiva.
Por outro lado, a colheita da nova safra de laranja começou com valores mais baixos que os do ano passado. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que a caixa destinada à indústria está cotada em R$ 31, ante R$ 44 no início da temporada anterior, refletindo uma menor necessidade de compra das indústrias neste momento inicial.
Resiliência e rotação de culturas
O trigo, por sua vez, tem sido alvo de estudos para enfrentar a instabilidade do clima. Pesquisadores destacam que a rotação de culturas, acompanhada do manejo adequado de nitrogênio e da alternância de espécies, pode elevar a produtividade em até 60% em anos de El Niño.
Essas estratégias de manejo não apenas aumentam a resiliência das lavouras, mas também ajudam a reduzir os custos com adubação e garantem um melhor aproveitamento dos nutrientes no solo, fatores decisivos para manter a rentabilidade do produtor rural diante dos desafios do clima.