Agro

Produção de alimentos foi responsável pela queda da inflação

11 ago 2026 às 12:30

Pelo segundo mês consecutivo, a produção agrícola foi a principal responsável por conter os índices de inflação no Brasil em 2026. Impulsionados pela plena safra de produtos essenciais, os custos com alimentação registraram uma retração de 0,67% no mês passado, aprofundando o recuo de 0,24% que já havia sido observado em junho.


A deflação nos hortifrútis foi liderada por itens de grande peso na mesa das famílias. As reduções mais expressivas foram contabilizadas no tomate (-29,09%), na batata-inglesa (-19,59%), na cenoura (-14,41%) e no café moído (-2,45%).


Clima e safra de inverno aumentam oferta no campo


A retração nos valores de venda é resultado direto das condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras do país, o que acelerou o ritmo de colheita e ampliou o volume de mercadorias nos centros de distribuição.


No caso do tomate e da batata, a entrada da safra de inverno aumentou a disponibilidade no mercado interno, revertendo as altas registradas em períodos anteriores por gargalos de produção. Já no setor cafeeiro, a colheita iniciada em maio entrou na fase final, gerando um alívio pontual nas prateleiras dos supermercados — embora analistas alertem que variações no tempo ainda possam afetar a qualidade dos grãos e frear novas baixas.


Ganhos no poder de compra e impacto no IPCA


A redução contínua na alimentação traz alívio imediato ao orçamento das famílias de menor renda, que comprometem a maior fatia do orçamento com a compra de alimentos básicos.


Além do impacto social, o recuo no grupo de Alimentação e Bebidas — um dos componentes de maior peso no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — ajuda a ancorar as projeções do mercado financeiro para a taxa de inflação e reabre os debates sobre o rumo dos juros no país.


A sustentabilidade dessa queda nos próximos meses dependerá da estabilidade do clima e da evolução dos custos logísticos, como combustíveis e fertilizantes.

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