A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que a safra de 2026 alcance 66,2 milhões de sacas, um marco histórico para o setor. Apesar do aumento na oferta, o baixo nível dos estoques mundiais deve manter os preços pressionados no mercado internacional. Por ser considerada uma commodity, o preço do café no Brasil segue o padrão mundial.
O 1º Levantamento da Safra de Café em 2026, divulgado nesta quinta-feira (5), indica um crescimento de 17,1% em relação ao ciclo de 2025. Este desempenho é impulsionado pela bienalidade positiva — fenômeno fisiológico em que a planta alterna anos de alta e baixa produtividade — e por condições climáticas favoráveis.
Mesmo com a expectativa de uma colheita recorde no Brasil, os preços do grão devem permanecer elevados. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o consumo mundial de café segue em tendência de alta, impulsionado pela demanda asiática, especialmente na China e no Vietnã.
Outro fator determinante para a manutenção dos preços é o nível crítico dos estoques. No início da safra 2025/26, as reservas mundiais registraram o patamar mais baixo dos últimos 25 anos. A previsão é de nova queda nos estoques até o final do ciclo, o que mantém o valor do café valorizado para o produtor e pressionado para o consumidor.
Desempenho por espécie e produtividade
A produção de café arábica, variedade mais sensível à bienalidade, deve atingir 44,1 milhões de sacas, um salto de 23,3% sobre a safra anterior. Já o café conilon (robusta) tem previsão de colheita de 22,1 milhões de sacas, o que também representaria um recorde para a espécie.
A área total destinada ao cultivo cresceu 4,1%, chegando a 1,9 milhão de hectares. Aliado à tecnologia e melhores práticas de manejo, a produtividade média nacional deve subir 12,4%, alcançando 34,2 sacas por hectare.
Minas Gerais se consolida como o maior produtor nacional, com estimativa de 32,4 milhões de sacas, favorecido pela boa distribuição de chuvas. Em São Paulo, a recuperação de áreas afetadas em ciclos passados e a bienalidade positiva elevam a projeção para 5,5 milhões de sacas.
No Espírito Santo, principal polo de conilon, a safra está estimada em 19 milhões de sacas. Rondônia, estado que cultiva exclusivamente a espécie conilon, projeta um acréscimo de 18,3% na produção devido à renovação genética das lavouras por plantas clonais mais produtivas.
O agronegócio brasileiro também registrou recorde financeiro nas exportações em 2025. Embora o volume embarcado tenha caído, o faturamento atingiu US$ 16,1 bilhões devido à alta de 57,2% no valor médio do produto no mercado global.