Agro

Recuperações judiciais no agro batem recorde com alta de 56%

29 set 2026 às 13:01

O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário de endividamento e pressão sobre o crédito em 2026. Dados da Serasa Experian mostram que os pedidos de recuperação judicial no setor chegaram a 1.990 em 2025, alta de 56,4% e recorde da série histórica.


A pressão continuou no início deste ano. No primeiro trimestre de 2026, o volume de pedidos já era 21,9% maior do que o registrado no mesmo período de 2025.


Outro indicador de dificuldade financeira é o volume de crédito rural em situação problemática. Segundo levantamento do BTG Pactual, com base em informações do Banco Central, R$ 207,4 bilhões estavam nessa condição em julho.


O valor corresponde a 23,5% da carteira nacional de crédito rural, que somava R$ 881,6 bilhões. O levantamento considera operações com atrasos, inadimplência, prorrogações ou renegociações.


Juros pressionam produtores


O cenário foi discutido nesta segunda-feira (28), durante reunião do Conselho do Agronegócio (AC/Agro) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).


Durante o encontro, o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, afirmou que a produtividade do campo continua elevada, mas que o custo do crédito tem aumentado a pressão sobre os produtores.


“O juro que o produtor paga não se decide na lavoura. É o preço de um país que gasta mais do que arrecada e que cobra essa conta de quem está tentando produzir”, afirmou.


Agro paulista como contraponto

Apesar das dificuldades observadas no cenário nacional, o secretário apresentou o agronegócio paulista como um setor de maior diversificação.


Segundo os dados apresentados, o agro de São Paulo movimentou R$ 657,6 bilhões em 2024, equivalente a 18,9% do PIB estadual e a 24% do PIB do agronegócio brasileiro.


O estado também respondeu por 40% das exportações paulistas e ocupou a segunda posição entre os maiores exportadores do agronegócio brasileiro, atrás de Mato Grosso.


Entre janeiro e agosto de 2026, São Paulo acumulou US$ 17,79 bilhões em exportações do setor.

O estado possui mais de 20 cadeias produtivas que movimentam mais de R$ 1 bilhão por ano. Entre elas estão cana-de-açúcar, com R$ 55,2 bilhões; carne bovina, com R$ 22,7 bilhões; laranja, com R$ 19,7 bilhões; frango, com R$ 13,7 bilhões; café, com R$ 9,6 bilhões; e soja, com R$ 8,9 bilhões.


De acordo com Melo Filho, a diversificação reduz a dependência de uma única cadeia produtiva diante de períodos de crise.


Críticas à política federal


Durante a reunião, o secretário também fez críticas à condução da política de apoio ao setor pelo governo federal.


Segundo Melo Filho, a União reduziu repasses para o seguro rural e aumentou tributos sobre insumos como fertilizantes e defensivos.


O secretário afirmou que o governo estadual destinou R$ 1,4 bilhão ao setor até 2025 e reduziu a carga tributária de 17 cadeias produtivas.


Ele também criticou os critérios de medidas provisórias federais destinadas à renegociação de dívidas, argumentando que as regras não consideram diferenças entre as atividades e regiões produtoras.


Como exemplo, Melo Filho citou a citricultura paulista, afirmando que o endividamento do segmento está relacionado principalmente ao greening, doença que afeta os pomares, e não a fatores climáticos contemplados pelas regras de renegociação.

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