A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 está estimada em 360,8 milhões de toneladas, segundo o 11º levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), divulgado neste mês. O volume representa um avanço de 2,4% em relação à temporada anterior, o que equivale a um acréscimo de 8,5 milhões de toneladas. A projeção tem como base pesquisas de campo realizadas no final de julho.
O resultado geral é sustentado principalmente pelos desempenhos do cultivo de soja, do milho e do sorgo. A colheita da soja deve registrar acréscimo de 9 milhões de toneladas, enquanto o milho apresenta aumento estimado em 1,8 milhão de toneladas e o sorgo, em 1,3 milhão de toneladas. Em sentido oposto, as culturas de trigo, arroz e feijão figuram entre as que apresentam as retração mais expressivas em comparação com o ciclo passado.
A área cultivada no país também deve registrar expansão. A Conab prevê que a extensão dedicada ao plantio alcance 83,5 milhões de hectares na temporada 2025/26, alta de 2,1% — ou 1,7 milhão de hectares a mais do que no período anterior. A soja responde pela principal fatia desse crescimento, com avanço de 1,3 milhão de hectares (2,7%). O milho amplia seu espaço em 760 mil hectares, e o sorgo cresce 536,7 mil hectares (32,9%).
Por outro lado, o levantamento aponta redução na área destinada ao trigo (queda de 20,4%), ao arroz (recuo de 14%) e ao feijão (diminuição de 6%).
Soja e milho puxam alta
A soja mantém a liderança no volume total produzido no país. A estimativa para a safra de soja é de 180,5 milhões de toneladas, ante 171,5 milhões de toneladas no ciclo 2024/25, aumento de 5,2%. O espaço voltado ao grão subiu de 47,3 milhões para 48,6 milhões de hectares, acompanhado de uma elevação de 2,5% na produtividade agrícola média.
A Região Centro-Oeste concentra o maior volume da colheita nacional da commodity, com previsão de 114,9 milhões de toneladas. A Região Sul aparece em seguida, com 43,8 milhões de toneladas, e a região do Matopiba soma 25,4 milhões de toneladas.
Já a produção de milho deve atingir 142,9 milhões de toneladas, valor 1,3% superior ao do ciclo anterior. A alta é puxada pelo milho de primeira safra, cuja colheita deve subir 18,2%, totalizando 29,5 milhões de toneladas. Para a segunda safra de milho, a projeção indica 111 milhões de toneladas (redução de 1,9%), enquanto a terceira safra deve alcançar 2,4 milhões de toneladas (queda de 18,6%).
Retração no arroz, feijão e trigo
Entre os itens de consumo direto da população, a produção de arroz registra um dos maiores recuos do levantamento: queda de 13,1%, com volume total estimado em 11,1 milhões de toneladas. A área plantada encolheu 14%, embora a produtividade média tenha subido 1%.
A produção de feijão é estimada em 3 milhões de toneladas, redução de 3,2%. A área dedicada à cultura caiu 6%, com ganho de 2,9% na produtividade média.
No caso do trigo, a retração é mais severa. A área de plantio recuou 20,4% e a produtividade caiu 7,2%, resultando em uma safra estimada em 5,8 milhões de toneladas — queda de 26,2% na comparação anual.
Monitoramento do clima
As condições climáticas permanecem como a principal variável para a consolidação dos resultados. Em julho, foram registradas precipitações acima de 150 milímetros no centro-sul da Região Sul. Em contrapartida, outras regiões tiveram volumes inferiores a 40 milímetros, reduzindo a umidade do solo.
Segundo prognóstico do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) para o trimestre entre agosto e outubro, há previsão de chuvas acima da média na maior parte da Região Sul, no sul de Mato Grosso do Sul e em grande parte do estado de São Paulo. No Centro-Oeste, a tendência é de irregularidade nas chuvas, com predomínio de volumes abaixo da média histórica.
A Conab aponta ainda a influência do fenômeno El Niño, com probabilidade de manutenção dessas condições nos próximos meses. A estatal ressalta que as projeções atuais permanecem sujeitas a revisões a depender do comportamento do clima até o encerramento dos trabalhos no campo.