No cenário estadual, esse fator se soma à oferta interna mais restrita, especialmente para o cereal de melhor qualidade, o que sustenta o aumento dos preços pagos ao produtor gaúcho.
Impacto no mercado de farelo e ração animal
Diferente do grão integral, o mercado de farelo de trigo apresenta uma tendência oposta, com desvalorização tanto para o produto ensacado quanto para o comercializado a granel. De acordo com o Cepea, essa queda nos preços é motivada pela maior competitividade de outros insumos utilizados na fabricação de ração animal.
O farelo de soja, um dos principais concorrentes, também passa por um período de retração nos preços, o que pressiona as cotações do farelo de trigo para baixo. Além disso, o avanço da colheita do milho de verão amplia a disponibilidade de ingredientes energéticos no mercado, reduzindo a procura pelo derivado do trigo para nutrição animal.
Estabilidade nos preços das farinhas
Para o setor de farinhas de trigo, o período é marcado por uma estabilidade relativa nos preços. Pesquisadores do Cepea indicam que o mercado ainda não encontrou uma sustentação consistente para novos reajustes, uma vez que a demanda por parte da indústria e do varejo apresenta uma recuperação apenas gradual.
A ausência de um consumo aquecido limita o repasse da alta do grão para o produto final nas gôndolas. O setor produtivo segue monitorando as condições climáticas nas principais regiões exportadoras, como os EUA, que continuam sendo o principal vetor de influência para as oscilações de preços no mercado brasileiro de trigo.