Pesquisadores do Instituto de Química da Unesp, no câmpus de Araraquara, desenvolvem estudos para viabilizar a produção nacional do diesel verde, conhecido pela sigla HVO (Hydrotreated Vegetable Oil, ou óleo vegetal hidrotratado). O combustível sustentável surge a partir do processamento de matérias-primas renováveis, como óleos de soja e carnaúba, óleo de cozinha usado e gordura animal.
A principal vantagem do HVO em relação ao biodiesel tradicional é a aplicação direta nos tanques como combustível drop-in. O formato permite abastecer motores a diesel em estado 100% puro, sem necessidade de misturas com derivados de petróleo ou adaptações mecânicas.
Intitulada "Materiais aplicados na transformação de biomassa em diesel verde: do laboratório ao piloto", a pesquisa é coordenada pela professora Sandra Pulcinelli e conta com financiamento de R$ 5 milhões da Fapesp. O projeto busca mapear biomassas adaptadas ao clima tropical, desenvolver catalisadores de baixo custo (substituindo metais nobres por níquel e cobalto) e testar a escala em reatores piloto.
A etapa final do processo inclui avaliações de desempenho mecânico e emissão de poluentes conduzidas no Laboratório de Combustão, Propulsão e Energia (LCPE) do ITA. A iniciativa foca no transporte coletivo e de cargas, setor que consome cerca de metade do combustível líquido do país.