O mercado brasileiro de arroz terá na exportação seu principal pilar de sustentação de preços e rentabilidade ao longo de 2026, segundo projeções da consultoria Safras & Mercado. Com estoques de passagem (sobras da safra anterior) elevados e um consumo interno enfraquecido, o envio do cereal para o exterior deixa de ser uma estratégia complementar para se tornar o fator determinante no equilíbrio financeiro do setor.
A análise indica que o varejo brasileiro apresenta baixa capacidade de absorção do produto neste momento. Isso coloca o comércio internacional no centro da formação de preços para o produtor rural. Segundo Evandro Oliveira, analista e consultor da Safras, qualquer alteração nos destinos de escoamento do grão terá reflexos imediatos no bolso do produtor. A lógica é de oferta e demanda: se o mercado interno não consome tudo, é preciso vender para fora para evitar que o excesso de oferta derrube os preços.
Oliveira pondera que, neste cenário, o mercado internacional funciona como uma válvula de escape essencial para garantir margens mínimas de lucro para quem planta.
O papel da Venezuela
Desafios no México e cotas de exportação
Outro mercado estratégico para o arroz brasileiro é o México. Historicamente, o país atua como um destino-chave em momentos em que o Brasil tem excedente de produção. Nas últimas cinco safras, a média de exportação para o mercado mexicano foi de 169,7 mil toneladas. O país tem capacidade para comprar muito mais, como ocorreu em 2022, quando os embarques brasileiros para lá alcançaram quase 447 mil toneladas.
Contudo, uma mudança nas regras comerciais traz preocupação para 2026. A introdução de uma cota limite de 200 mil toneladas altera a dinâmica do mercado. Segundo Oliveira, isso limita a "elasticidade exportadora" — ou seja, a capacidade do Brasil de ampliar as vendas para o México justamente quando mais precisa escoar a produção.