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Adolescentes vítimas de crimes virtuais procuram a polícia antes dos pais

29 out 2026 às 22:08

Crianças e adolescentes vítimas de extorsão, abusos e ameaças na internet estão procurando diretamente a polícia antes mesmo de contar aos pais. O cenário preocupa as autoridades e está relacionado, entre outros fatores, ao medo de punições familiares e à falta de diálogo sobre os riscos do ambiente digital.


Policiais civis de São Paulo monitoram e investigam diariamente casos de chantagem e ameaça na internet. Além de exigirem dinheiro, os agressores frequentemente impõem desafios extremos às vítimas, como automutilação, violência contra animais e até ameaças a escolas.


No início de outubro, o Núcleo de Operações e Aulas Digitais (Noad) da Polícia Civil lançou um canal exclusivo para receber denúncias desse tipo. Antes encaminhadas por um canal geral, as mensagens passaram de cinco para 36 por dia.


Um dado que chama a atenção das autoridades é a quantidade de relatos enviados por adolescentes que procuram a polícia antes de conversar com os próprios familiares.


Adolescente foi extorquido após exposição de fotos

Um menino de 12 anos relatou ao núcleo policial que estava sendo extorquido depois que fotos íntimas e dados pessoais de sua família foram expostos. O agressor ameaçava divulgar o material caso não recebesse dinheiro por meio de transferências via Pix.


Segundo a delegada Lisandrea Salvariego Colabuono, o primeiro procedimento da equipe é entrar em contato por telefone com o adolescente para estabelecer uma relação de confiança. Somente depois, os policiais conversam com os responsáveis.


Diálogo familiar é fundamental

A psicóloga Renata Greco destaca que a casa precisa ser um espaço seguro para crianças e adolescentes conversarem sobre situações de violência sexual, tanto no ambiente virtual quanto no físico.


Sem acolhimento e informação, os jovens podem evitar pedir ajuda aos familiares, especialmente quando temem punições ou julgamentos.


As autoridades também orientam os responsáveis a acompanhar o uso de celulares e computadores. Uma das recomendações é manter os aparelhos em locais visíveis da casa, facilitando a supervisão e a identificação de possíveis situações de risco.

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