A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu uma apuração sobre 13 notificações de suspeita de perda de visão associadas ao uso de medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, utilizados no tratamento do diabetes e também para controle de peso.
O foco das análises é a Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não Arterítica (Noia), uma condição ocular grave que pode provocar perda súbita da visão.
A doença ocorre quando há redução ou interrupção do fluxo sanguíneo nos pequenos vasos que irrigam o nervo óptico. A falta de oxigênio pode provocar danos às células nervosas e comprometer a visão, geralmente em um dos olhos.
Medicamentos monitorados
De acordo com os dados do sistema de farmacovigilância da Anvisa, as notificações envolvem diferentes medicamentos e apresentações:
- Ozempic (semaglutida): 5 notificações;
- Wegovy (semaglutida): 3 notificações;
- Wegovy FlexTouch (semaglutida): 2 notificações;
- Rybelsus (semaglutida em comprimidos): 2 notificações;
- Mounjaro (tirzepatida): 1 notificação.
Dos 13 registros, 12 envolvem a semaglutida e 1 está relacionado à tirzepatida.
Além dos casos relacionados especificamente à Noia, o sistema também reúne notificações de outros distúrbios visuais, como visão turva, redução da acuidade visual e alterações no campo de visão.
Casos ainda são investigados
A Anvisa ressalta que as notificações representam suspeitas de eventos adversos e não comprovam, isoladamente, que os medicamentos tenham causado os problemas de visão.
Durante a investigação, são analisados outros fatores que podem estar relacionados aos casos, incluindo o histórico médico e as condições de saúde dos pacientes.
No Brasil, a Anvisa já determinou que a neuropatia óptica isquêmica seja incluída nas bulas de medicamentos à base de semaglutida como uma reação adversa de ocorrência “muito rara”.
O tema também vem sendo acompanhado internacionalmente, com estudos e discussões regulatórias sobre uma possível associação entre os medicamentos e alterações no nervo óptico.
Orientação aos pacientes
Especialistas orientam que pacientes não interrompam o tratamento por conta própria.
Em caso de perda ou alteração repentina da visão, embaçamento súbito ou outros sintomas visuais incomuns, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente para avaliação do quadro.
A decisão sobre iniciar, interromper ou modificar o uso dos medicamentos deve ser feita com orientação de um profissional de saúde.