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Barra de ouro que passou 130 anos no fundo do mar será vendida em 'pedaços'

25 mar 2026 às 14:58
Por: UOL
Reprodução
Em setembro de 1857, o navio americano Central America afundou na costa da Carolina do Sul durante um furacão, levando junto com ele 425 pessoas e uma espantosa fortuna em ouro, já que quase todos os seus passageiros eram garimpeiros que voltavam para casa com o que haviam colhido durante o auge da Corrida do Ouro, na Califórnia.

Entre as toneladas de ouro que foram parar no fundo do mar naquela tragédia estava uma barra sólida, do tamanho de um tijolo, com quase 30 quilos de peso e pureza de 0,90, que havia sido fundida por joalheiros de São Francisco a partir da fusão de centenas de pepitas trazidas por garimpeiros das minas da região.

Pelo seu tamanho, peculiaridade e valor, a tal barra recebeu até um nome: Barra Eureka, expressão cunhada pelos antigos gregos para enaltecer uma descoberta relevante.

Vale milhões de dólares
131 anos depois, em 1988, a tal barra foi encontrada e resgatada do fundo do Atlântico pelo explorador americano de naufrágios Tommy Thompson e vendida para o mercado americano de numismática, onde, desde então, só fez aumentar o seu valor.

Em 2001, ela foi vendida para um colecionador privado (um alto executivo americano, que estava entre os 400 homens mais ricos do mundo, de acordo com a revista Forbes) por 8 milhões de dólares, mas, em seguida, revendida por um valor ainda maior.

Atualmente, a Barra Eureka está assegurada por 10 milhões de dólares (cerca de R$ 55 milhões), o que a coloca como a barra de ouro mais valiosa dos Estados Unidos e uma das mais preciosas do mundo, e novamente posta à venda. 

Só que, desta vez, de uma forma diferente.

Vendida aos pedaços
Em vez de ter apenas um dono, a lendária barra, que virou símbolo da famosa Corrida do Ouro na Califórnia, no século 19, agora terá diversos proprietários: 1 500 deles, para ser mais exato, mesmo número da quantidade de "frações" nas quais será desmembrada, e vendidas separadamente ao preço de US$ 4.333 (cerca de R$ 24.000) cada.

Com base na Regra 506c, do Regulamento D da Lei de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, que legisla sobre cotas de bens fracionados, cada fração (de apenas 20 gramas cada) terá um certificado de propriedade, como se fosse uma "ação" de uma empresa na Bolsa de Valores.

Mas a barra não será "picotada" para que seu proprietário guarde o seu pedaço em casa, porque isso significaria destruir um "objeto histórico", como definiu o presidente da empresa que conduzirá a venda parcelada da Barra Eureka, a Kagin's Digital (os interessados podem ter mais detalhes e consultar o folheto oficial da venda aqui).

"Documento feito de ouro"
A Barra Eureka tanto representa um artefato extraordinário da época da Corrida do Ouro quanto um instrumento financeiro tangível da sua época, porque era considerada 'um documento monetário feito de ouro 
Donald Kagin, herdeiro do maior negócio de vendas de bens numismáticos dos Estados Unidos

"Quase sempre, os itens colecionáveis têm pouco ou nenhum valor monetário intrínseco, ao contrário da Barra Eureka, que é um documento financeiro único, feito de ouro maciço", acrescenta o empresário.

"O fracionamento dela permitirá que mais pessoas tenham acesso a este bem histórico, sem desfigurá-lo", diz Donald Kagin.

Mas há quem vá ainda mais longe.

Quem achou foi preso
"A Eureka é a barra de ouro mais relevante ainda existente no mundo", diz George Crum, um especialista no assunto, e uma das maiores autoridades nos tesouros resgatado do SS Central America — menos, é claro, do que quem o encontrou, o caçador de tesouros submersos Tommy Thompson, que achou os restos do navio — e o ouro que havia nele — mais de um século depois do seu naufrágio.

Não por acaso, o início da venda fracionada da lendária Barra Eureka coincide com a soltura de Thompson da prisão, duas semanas atrás, fato que foi notícia no mundo inteiro.

Ele havia sido preso por ter desrespeitado uma ordem judicial para que se apresentasse perante um juiz e fornecesse o paradeiro do que resta do tesouro do SS Central America em seu poder, a fim de indenizar os financiadores da expedição que localizou os restos do navio, que nunca receberam por isso.

Thompson passou dez anos preso por isso, mas jamais revelou onde escondeu parte do tesouro, alegando amnésia e o depósito em um fundo monetário em Belize, que não permite nem ao seu proprietário saber o paradeiro dos bens, "como forma de protegê-lo", por mais estranho que isso pareça.

Resignado com a resistência de Thompson, que já soma 73 anos de idade, o juiz mandou soltá-lo, justificando sua decisão com o argumento de que "se ele não revelou isso até hoje, não o fará nunca".

Outro caçador de tesouros
Agora, finalmente livre, Thompson poderá ir atrás do que ainda lhe resta do tesouro, ainda que sob eterna vigilância dos seus credores.

Se conseguir colocar as mãos no ouro que supostamente guarda escondido, ele se tornará o mais bem sucedido — e rico — caçador de tesouros submersos dos Estados Unidos, superando o também americano Mel Fisher, com quem Thompson trabalhou no início de sua carreira, e com quem aprendeu a não cometer os mesmos erros nas buscas submarinas no mar aberto.

Em 1985, após 16 anos de incansáveis buscas no fundo do mar, Mel Fischer encontrou os restos do galeão espanhol Nuestra Señora de Atocha, do século 17, na costa da Florida, e dele retirou toneladas de ouro e pedras preciosas, que hoje podem ser vistos parcialmente no museu que leva o seu nome, na cidade de Key West

Mas, ao contrário de Tommy Thompson, Mel Fisher não encontrou nenhuma barra de ouro tão volumosa quanto a Eureka, do Central America, embora sua história seja repleta de lances espetaculares — clique aqui para conhecê-la, ou assista um vídeo que narra como foi esta descoberta.

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