O registro do primeiro caso de sarampo em 2026 no Brasil colocou as autoridades de saúde em alerta máximo. A infecção foi confirmada em um bebê de seis meses que retornou de uma viagem à Bolívia, país que enfrenta um surto da doença. A criança infectada ainda não possui idade para receber a vacina, já que o calendário nacional prevê a aplicação da primeira dose apenas aos 12 meses.
O episódio ocorre pouco mais de um ano após o Brasil ser certificado novamente como país livre do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde, em novembro de 2024. A infectologista pediátrica da Secretaria de Saúde, Simone Garani Narciso, alerta que a doença possui alta transmissibilidade e pode ser fatal. Segundo a médica, os principais grupos de risco são pessoas não vacinadas, crianças e idosos.
O cenário epidemiológico nas Américas pressiona a vigilância sanitária brasileira. Em 2025, o continente registrou 14.891 casos em 14 países, com 29 mortes. O ritmo de contágio acelerou em 2026: até o dia 5 de março, já foram confirmadas 7.145 infecções na região. Simone explica que os baixos índices de imunização em nações vizinhas aumentam o risco de reintrodução do vírus em território nacional.
A vacinação é a única forma de prevenção e está disponível gratuitamente nas UBS. Em Londrina, a cobertura da primeira dose ultrapassa 90%, enquanto a segunda atinge 80% do público-alvo. Apesar de os números serem superiores aos de países vizinhos, a infectologista afirma que ainda há espaço para melhorar os índices locais.
A imunização não é restrita ao público infantil. Adultos de até 29 anos devem comprovar pelo menos duas doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Para a faixa etária entre 30 e 59 anos, a recomendação é de ao menos uma dose. A empresária Cláudia Custódio reforça a importância de manter a caderneta de vacinação em dia para proteger os filhos e evitar a propagação do vírus.