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Conheça Pedro Alliana, cotado para assumir governo do Paraguai

05 nov 2026 às 22:29

O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, poderá assumir a Presidência do país após o anúncio de renúncia de Santiago Peña, feito nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise política e financeira provocada pelo fechamento do Ueno Bank. A saída de Peña, no entanto, ainda depende de definição do Congresso paraguaio.


Nascido em fevereiro de 1974, na cidade de Pilar, Pedro Alliana tem 52 anos, é casado e pai de quatro filhos. Ele iniciou a trajetória política em 2006, quando concorreu à prefeitura de sua cidade natal pelo Partido Colorado, mas não foi eleito.


Dois anos depois, em 2008, venceu a eleição para governador do departamento de Ñeembucú, cargo que ocupou até 2012. Em 2013, foi eleito deputado nacional e permaneceu na Câmara até 2023, sendo reeleito em 2018. Durante esse período, também presidiu a Casa Legislativa e liderou o Partido Colorado.


Aliado do ex-presidente Horacio Cartes, Alliana foi escolhido em 2023 para integrar a chapa de Santiago Peña como candidato a vice-presidente. A dupla venceu a eleição e assumiu o governo em agosto daquele ano.

Anúncio da renúncia

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Santiago Peña afirmou que atravessa um dos momentos mais difíceis de sua vida e anunciou a decisão de deixar a Presidência.


“Com o coração posto no Paraguai e com a convicção de que a nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância. A história se encarregará de julgar e colocar em sua justa dimensão os acontecimentos que hoje nos toca viver. Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República”, declarou.


Peña disse que a decisão foi tomada em nome da estabilidade do país, da paz social e da preservação das instituições democráticas. Ele também pediu desculpas à população caso tenha falhado durante o mandato e afirmou que nunca teve a intenção de prejudicar a confiança dos paraguaios.


O então presidente destacou ainda a preocupação com os clientes do Ueno Bank, que ficaram sem acesso às contas após a intervenção da instituição financeira.

“Por trás de cada depósito há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares”, afirmou Peña, ao defender que os recursos dos correntistas sejam devolvidos e que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra sua finalidade.


Crise bancária no Paraguai

O escândalo financeiro envolve o Ueno Bank, instituição que atendia aproximadamente três milhões de clientes no Paraguai. O Banco Central determinou a intervenção e o fechamento do banco após identificar problemas de solvência e irregularidades nas operações de crédito.


A medida suspendeu os serviços da instituição e impediu que clientes acessassem os próprios recursos. Entre os valores mantidos no banco estavam cerca de US$ 850 milhões em depósitos de órgãos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social paraguaio.


A investigação aponta suspeitas de concessão excessiva de empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador da instituição. O caso provocou protestos, questionamentos sobre a atuação das autoridades e pedidos de responsabilização.


Peña foi acionista do grupo ligado ao banco até março de 2025. A oposição aponta possível conflito de interesses e questiona decisões tomadas durante o governo. O presidente negou irregularidades.


A crise também levou à renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, e à investigação de executivos ligados à instituição financeira.


Pedido de impeachment

Antes do anúncio da renúncia, deputados da oposição haviam apresentado pedidos de impeachment contra Santiago Peña e Pedro Alliana. Entre as acusações estão suposto conflito de interesses, proteção política à instituição financeira e questionamentos sobre a aplicação de recursos públicos no banco.


A Câmara dos Deputados aprovou o processo de impeachment contra Peña por unanimidade, com 78 votos. Já o pedido contra Alliana foi rejeitado, por 48 votos a 30.


Após o anúncio da renúncia de Peña, o Congresso iniciou uma sessão conjunta para analisar a saída do presidente. No entanto, a votação foi suspensa depois que parlamentares governistas deixaram o plenário, provocando falta de quórum.


Com isso, a situação da Presidência paraguaia permaneceu indefinida. Pela Constituição do país, caso a renúncia seja aceita, Pedro Alliana deverá assumir o comando do Executivo.

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