A Justiça manteve a prisão temporária de Eric Conrado Alves de Almeida, de 41 anos, apontado como principal suspeito de matar a namorada, Ana Gabriela Faria Lima, de 29 anos, e o filho dela, Rafael, de seis anos. Os corpos foram encontrados na noite da última terça-feira em um apartamento em Cotia, na Grande São Paulo.
O suspeito foi localizado por equipes policiais em uma residência na zona oeste da capital paulista. Durante o encaminhamento para exames no Instituto Médico Legal (IML), o empresário negou a autoria dos crimes e alegou ter sido vítima de uma armação.
Dinâmica do crime e limpeza da cena
Imagens de câmeras de segurança do condomínio registraram o momento em que o empresário entrou no local de carro, acompanhado das vítimas, por volta das 21h30. Cerca de cinco horas depois, ele deixou o edifício sozinho. As investigações da Polícia Civil apontam que nenhuma outra pessoa entrou no apartamento durante esse intervalo.
Segundo os levantamentos policiais, antes de deixar o local, o suspeito teria limpado o apartamento e acendido incensos para tentar ocultar vestígios. Os investigadores constataram que pratos foram lavados, o chão passou por higienização e a cama foi arrumada.
Outro elemento que chamou a atenção da polícia foi o registro de 38 ligações feitas pelo empresário para a própria mãe após as mortes.
Histórico de ameaças e medo
Testemunhas relataram que o casal mantinha um relacionamento marcado por instabilidades, idas e vindas, além de episódios de brigas e comportamento controlador por parte do suspeito. Há nove meses, o homem teria ameaçado um vizinho com uma arma de fogo por ciúmes.
Em áudios encaminhados à síndica do condomínio em março, Ana Gabriela relatou que tinha medo do companheiro. Nos registros, a vítima descreveu episódios em que teria sido impedida de sair do apartamento e pediu que o veículo fosse monitorado por receio de novas atitudes do parceiro.
Os corpos de Ana Gabriela e do menino Rafael foram sepultados em São Paulo. O caso é investigado pelas autoridades policiais como feminicídio e homicídio. Os laudos periciais definitivos ainda devem esclarecer as causas exatas das mortes.