O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou a sua renúncia ao cargo, em um movimento provocado pelo agravamento da crise institucional e financeira no país vizinho. A decisão foi comunicada publicamente após a abertura de um processo de impeachment no Congresso e a perda de apoio da base governista, desencadeadas pela liquidação do Ueno Bank pelo Banco Central paraguaio devido a problemas de solvência e irregularidades em empréstimos concedidos a empresas coligadas.
O colapso da instituição financeira, que acumulava cerca de três milhões de clientes e concentrava US$ 850 milhões em depósitos públicos e fundos do Instituto de Previdência Social, gerou forte comoção social e acusações diretas contra o chefe de Estado.
Peña havia sido acionista do grupo controlador da instituição até o ano anterior, o que motivou a oposição a apontar conflito de interesses, desvio de recursos previdenciários e falhas de fiscalização regulatória na condução do sistema financeiro nacional.
Para que a saída do chefe do Poder Executivo seja consolidada, o Congresso do Paraguai precisa convocar uma sessão extraordinária para analisar e aceitar formalmente o pedido de renúncia.
Enquanto o parlamento organiza os trâmites institucionais para a transição de governo, que deve guiar a posse do vice-presidente Pedro Alliana, o país aprovou medidas emergenciais para acelerar a devolução dos valores aos poupadores atingidos pela liquidação bancária.