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Ex-presidente do Paraguai tem prisão decretada após impeachment

06 nov 2026 às 20:57

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, teve a prisão decretada pelo Ministério Público do país na noite desta sexta-feira (6), poucas horas após ser destituído do cargo pelo Senado. A ordem prevê que ele cumpra prisão domiciliar em sua residência, na capital Assunção. A medida faz parte da investigação sobre o escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank.


A ordem de detenção também inclui o ex-presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo Spalding. Os dois são investigados por suspeita de lesão de confiança e outros possíveis crimes relacionados à crise da instituição financeira. As acusações ainda dependem de apuração.


A destituição de Peña foi aprovada pelo Senado nesta sexta-feira, após o avanço do processo de impeachment. Na quinta-feira (5), o então presidente havia anunciado sua renúncia, mas o Congresso não concluiu a votação para aceitar o pedido. Com isso, o julgamento político teve continuidade.


Peña tentava deixar o cargo por meio da renúncia, o que poderia garantir a ele a condição de senador vitalício e as respectivas imunidades previstas na legislação paraguaia. Com a aprovação do impeachment, ele perdeu a Presidência e não assumiu essa condição.


Após a destituição, o vice-presidente Pedro Alliana tomou posse como o 52º presidente da história do Paraguai, para completar o mandato.


Crise do Ueno Bank

A decisão ocorre em meio à crise provocada pela intervenção do Banco Central no Ueno Bank, após problemas de solvência da instituição. A medida deixou cerca de três milhões de clientes sem acesso às contas e aos recursos depositados.


O caso provocou forte repercussão no país e protestos de correntistas que cobravam a liberação do dinheiro. A crise também levantou questionamentos sobre a relação de Peña com o grupo controlador do banco. O ex-presidente havia sido acionista da holding ligada à instituição até 2025.


As investigações apuram possíveis irregularidades na supervisão do banco e na aplicação de recursos públicos na instituição. Peña nega irregularidades, e a ordem de prisão não representa uma condenação.

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